Pimenta no olho do outro é colírio!
Não é com orgulho que admito, mas hoje essa frase foi verdadeira para mim pois o "outro" em questão tratava- se de um criminoso.
Um grupo de bandidos havia roubado um caminhão carregado de camisetas, só que acabaram sendo localizados pela polícia durante o transbordo do produto do roubo atravez do sistema de rastreamento do veículo em uma empresa de logística na zona norte.
Na abordagem varios ladrões fugiram e um deles tentou se esconder dentro de um tambor sem saber que o líquido dentro dele era soda cáustica.
Por sí só isso já não é uma visão bonita! Mas não parou por aí.
Todos nós já ouvímos histórias de policiais que maltratam os criminosos ao prendê- los, mas posso garantir que neste caso não foi a intensão dos PM's, pelo contrário, eles se compadeceram do desespero em que o infeliz, ensopado de soda cáustica, se encontrava e o levaram até o vestiário da empresa para um banho.
"Deixamos que ele passasse uma água no corpo para aliviar um pouco o ardor na pele do indivíduo!"
Foi o que o Tenente me disse ao comentar o caso.
Não disse nada ao oficial, mas acontece que o sódio, presente na composição do produto químico, é extremamente reagente em contato com a água!
Bolhas terríveis eclodiram na pele do bandido que passou por dois hospitais antes de encontrar um capacitado para cuidar de suas queimaduras.
Me lembrei do filme do Batman, onde o coringa cai em solução semelhante. Claro que nosso "amigo" não é nenhum gênio do crime como o personagem interpretado por Jack Nickolson, mas foi um palhaço igual!
Tudo bem! Podem me criticar! Sei que não é certo rir da desgraça alheia, só que tenho visto muitos latrocínios esse ano e quando penso na frieza desses criminosos com suas vítimas, pessoas normais como eu ou vocês, não posso deixar de ouvir aquela vozinha no meu interior dizendo "bem feito!"
Posso estar errado, mas não serei hipócrita de fingir ter ficado com pena do assaltante.
Sou do tipo que acha que direitos humanos devem ser para humanos direitos, e vocês?
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
GOMORRA É AQUI!
ERAM 9 HORAS DA NOITE NO BAIRRO JAQUARIBE EM OSASCO NA GRANDE SÃO PAULO.
JAMES FERREIRA DA SILVA, UM BARMAN DESEMPREGADO, ESTAVA VOLTANDO PARA CASA APÓS UM CULTO RELIGIOSO COM O FILHO DE 1 ANO E 3 MESES EM SEU COLO.
ALGUNS METROS ANTES DE CHEGAR EM SUA RESIDÊNCIA O JOVEM PAI DE APENAS 25 ANOS É ABORDADO POR UM HOMEM ARMADO QUE ANUNCIA O ASSALTO.
ASSUSTADO, JAMES TENTA COMPLETAR CORRENDO OS POUCOS PASSOS QUE FALTAM ATÉ A SEGURANÇA DE SEU LAR.
MAS ELE NÃO CONSEGUE!
FRIAMENTE O ASSALTANTE DISPARA VARIAS VEZES CONTRA SUAS VÍTIMAS.
DOIS TIROS ATINGEM JAMES, UM NA COXA DIREITA E OUTRO NA NUCA, A CRIANÇA EM SEUS BRAÇOS TAMBÉM É FERIDA COM UM TIRO NA CABEÇA.
PAI E FILHO FICAM LÁ, CAÍDOS NA RUA, ENQUANTO O CRIMINOSO FOGE SEM LEVAR NADA, POIS O ÚNICO PERTENCE QUE JAMES CARREGAVA NAQUELA NOITE ERA A BÍBLIA SAGRADA
INTERNADO NO HOSPITAL ANTONIO GIGLIO, JAMES FERREIRA ESTÁ FORA DE PERIGO.
JÁ SEU FILHO PERMANECE EM ESTADO GRAVE NO HOSPITAL REGIONAL DE OSASCO, ONDE A FAMÍLIA, MUITO ABALADA, NÃO TINHA NEM MESMO PALAVRAS PARA UM CRIME TÃO BRUTAL.
MAS QUE PALAVRAS SERIAM NECESSÁRIAS NUMA SITUAÇÃO COMO ESSA?
JAMES FERREIRA DA SILVA, UM BARMAN DESEMPREGADO, ESTAVA VOLTANDO PARA CASA APÓS UM CULTO RELIGIOSO COM O FILHO DE 1 ANO E 3 MESES EM SEU COLO.
ALGUNS METROS ANTES DE CHEGAR EM SUA RESIDÊNCIA O JOVEM PAI DE APENAS 25 ANOS É ABORDADO POR UM HOMEM ARMADO QUE ANUNCIA O ASSALTO.
ASSUSTADO, JAMES TENTA COMPLETAR CORRENDO OS POUCOS PASSOS QUE FALTAM ATÉ A SEGURANÇA DE SEU LAR.
MAS ELE NÃO CONSEGUE!
FRIAMENTE O ASSALTANTE DISPARA VARIAS VEZES CONTRA SUAS VÍTIMAS.
DOIS TIROS ATINGEM JAMES, UM NA COXA DIREITA E OUTRO NA NUCA, A CRIANÇA EM SEUS BRAÇOS TAMBÉM É FERIDA COM UM TIRO NA CABEÇA.
PAI E FILHO FICAM LÁ, CAÍDOS NA RUA, ENQUANTO O CRIMINOSO FOGE SEM LEVAR NADA, POIS O ÚNICO PERTENCE QUE JAMES CARREGAVA NAQUELA NOITE ERA A BÍBLIA SAGRADA
INTERNADO NO HOSPITAL ANTONIO GIGLIO, JAMES FERREIRA ESTÁ FORA DE PERIGO.
JÁ SEU FILHO PERMANECE EM ESTADO GRAVE NO HOSPITAL REGIONAL DE OSASCO, ONDE A FAMÍLIA, MUITO ABALADA, NÃO TINHA NEM MESMO PALAVRAS PARA UM CRIME TÃO BRUTAL.
MAS QUE PALAVRAS SERIAM NECESSÁRIAS NUMA SITUAÇÃO COMO ESSA?
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
O Fio da Meada
Baseado numa história real ocorrida durante a madrugada.
O policial em pé a minha frente vai vomitando toda sua ocorrência para mim (Deus! Como odeio esses jargões da PM!) enquanto minha experiente escrivã, senhorita Cinthia, uma solteirona de 50 anos, vai digitando a história.
__ Estavamos em "Patru com vistas" quando "pagou" via "rede- rádio" um "QRU" de latrocínio. Fomos com uma "certa" até o "QTH" e encontramos o dono da residência "zerado" no quarto, aparentemente a pauladas, e sua esposa trancada com o filho no banheiro. Fizemos uma busca no local, mas os "malas" já tinham se evadido!
Eu fico lá... Balançando a cabeça enquanto minha atenção está focada na placa de identificação no peito do Cabo da PM a minha frente. Seu sobrenome é Cetanelle, deve ser de descendência italiana. Mas não foi isso que chamou minha atenção, foi a placa em sí que diz: CABO CETANELLE __ CÁ BOCETA NELLE!
Começo a dar risada e nem o cabo nem a escrivã entendem nada.
__Tudo bem doutor?
Digo que sim e me recomponho. Dispenso o cabo, prefiro pegar os detalhes com a família, então peço para que o policial chame a mulher da vítima... "com uma certa!" Digo irônico ao PM, mas quem entende é a senhorita Cinthia, que desvia a vista para o lado escondendo o sorrindo.
A maioria das pessoas acha que o trabalho de delegado é repleto de aventuras e mistérios como nos filmes. Tolice! Na verdade é um trabalho burocrático, passo a maior parte do tempo sentado nessa mesa, ouvindo pessoas e assinando papéis.
É no depoimento, na história ou nas lacunas dela que pode estar a solução para os casos:
Um apelido dito sem querer por um dos bandidos!
Uma cicatriz ou tatuagem percebidas pelas vítimas!
Alguma informação que os bandidos tinham e que não deveriam ter!
É afinando a história que encontramos um fio solto no novelo, o fio da meada! Daí é só puxa- lo!
A esposa do falecido entra, olhos vermelhos, lenço na mão e um belo corpo! O rosto está inchado pelas lágrimas e ela já não é nenhuma mocinha, mesmo assim é possivel perceber tratar- se de uma mulher bonita e bem cuidada.
Não emito nenhuma saudação infame do tipo: __Tudo bem?__ Apesar de ter que admitir que cometí muitas dessas gafes no inicio de minha carreira.
Apenas aponto com o braço para que ela se sente na cadeira a minha frente.
__ Pode me dizer seu nome e o nome de seu esposo?
__ Sandra Deodato, e José Henrique Deodato.
__ As idades Dona Sandra?
__ A minha é 36 e a de meu marido é... era 42!
A escrivã interrompe pedindo licença para sair da sala, eu concedo e continuo minhas perguntas:
__ Qual era a profissão dele?
__ Tinha uma empresa de embalagem plásticas.
__ Era empresário então!
__ Isso! Um microempresário!
E minha enquete segue, em meio ao som da impressora matricial trabalhando initerruptamente na recepção, Sandra responde muito claramente:
__ Estavamos morando aquí na região a cerca de três meses, nos mudamos da zona sul após um sequestro que sofrí... Não, os sequestradores não foram pegos... Meu marido pagou o resgate e só notificou a polícia após minha libertação... Sim, eram os mesmos homens! Nunca vou esquecer aqueles rostos!
Faço uma pausa nas perguntas para que a mulher chore um pouco. Empurro na direção dela a caixa de lenços de papel sobre minha mesa e espero.
__Me desculpe!
Diz a mulher após três minutos.
Digo para ela não se preocupar, para ficar a vontade, que sei que é difícil e blá blá blá... Se um dia deixar de ser delegado vou virar psicólogo!
Minha escrivã retorna com alguns papéis na mão.
Volto então ao depoimento:
__Mas me diga, Dona Sandra! Como foi que tudo aconteceu?
__ Estava em casa com meu nenem, deveria ter ido para a academia de ginástica onde malho mas ela não abriria hoje, aproveitei então para dar folga para nossa empregada.
"Meu marido chegou no horário de sempre, mas rendido por dois homens. Um deles me trancou no banheiro com meu filho e não pude ver mais nada, apenas ouví enquanto batiam no meu marido para que dissesse onde tinha dinheiro na casa. Ele apenas gritava, dez, vinte, trinta minutos... Até que não gritou mais!
Desesperada, liguei para a polícia! Mas era tarde!
Nova pausa, mesmo motivo!
Pelo jeito vou precisar comprar outra caixa de lenços!
A escrivã me dá os papéis que trouxe. É o B.O de sequestro do casal, como disse, a senhorita Cinthia é muito eficiente! Numa folheada confirmo que a história bate.
Mando a mulher para a sala ao lado fazer um novo retrato falado dos sequestradores, mas antes faço a última pergunta:
__ E havia mesmo dinheiro na casa?
A mulher me olha com olhos carregados e responde:
__ Não! Nem um centavo em casa ou no banco! Estamos numa situação muito difícil desde o sequestro.
Peço para a escrivã acompanhar Sandra até o desenhista técnico e trazer na volta o Senhor João Carlos Deodato, irmão e sócio da vítima.
__ Com licença doutor?
__ Sente- se sr. João!
Explico sobre a co- relação do assassinato com o sequestro de três meses antes e começo meu inquérito:
__ Faz idéia de por que seu irmão não acionou a polícia na época do sequestro?
__ Medo! Cansei de dizer a ele para que chama- se a polícia, mas Sandra estava grávida, para ganhar nenem, e ele quis resolver tudo o mais rápido possivel!
__ Seu irmão pagou cinquenta mil reais de resgate, sabe quanto eram seus fundos na época?
__ Ele tinha exatamente essa quantia! Cinquenta mil!
__ Interessante! E sabe quem tinha acesso aos rendimentos dele na empresa?
João Carlos precisa de um tempo para pensar.
__ Eu e os funcionários da contabilidade. Acho que só!
__ Quantos funcionários?
__ São três...
Ele me passa o nome de cada um deles e permito que se retire.
Mal a porta se fecha e alguém a abre perguntando se tenho um minuto.
__ Agora não posso, estou ocup... Ora! Mas é você seu safado! Quanto tempo! Vamos, entre!
É Alvaro, um velho amigo meu que trabalha na perícia. Havia sido escalado para o latrocínio de José Deodato e aproveitou para me visitar.
Senhorita Cinthia nos tráz café para ajudar a botar a conversa em dia:
__ E a esposa? Como estão os filhos? Precisamos marcar um churrasco! O governo tá cada dia pior! Antigamente não era assim! Tem visto o Palhares? Santista ainda!? Não cansou de sofrer? Ahahahahahhh!!!
Alvaro me mostra então as fotos tiradas por ele na cena do crime. A cabeça careca parecia uma melancia de tão inchada.
Seria duro saber se o pobre diabo havia morrido espancodo ou sufocado pois, além das mãos e dos pés, também o rosto da vítima tinha sido envolvido por fita adesiva larga, Interessante!
Vendo que estou ocupado Alvaro se despede. Acompanho meu amigo até a porta da sala, de onde chamo novamente o Cabo Cetanelle, dessa vez o trocadilho nem passa por minha cabeça!
__ Diga- me Cabo, qual foi seu procedimento e o de seu parceiro ao chegarem no local?
__ Acionei o resgate para a vítima mesmo não encontrando pulsação e arrombei a porta do banheiro de onde a esposa pedia socorro! Meu parceiro fazia varredura pela residência a procura dos criminosos!
__ Obrigado cabo, é só isso!
Peço para a escrivã trazer novamente o irmão da vítima até minha sala. Converso com ele e em seguida chamo Dona Sandra. Ela vem, já com os retratos prontos, senta- se a minha frente e eu lhe pergunto:
__ Esquecí de lhe fazer a pergunta mais importante! A quanto tempo malha na mesma academia?
A mulher fica pálida e repito a pergunta.
__ Dois anos.
Responde enfim. Eu continuo:
__ Eu ouví sua história e percebí que tem muitas pontas soltas, como quando você disse que os assaltantes perguntavam ao seu marido onde havia dinheiro. Eu nunca ví amordaçarem ninguém pra depois interrogar! Também achei estranho você não ter ligado imediatamente para a polícia após ser trancada no banheiro, segundo suas palavras você esperou cerca de meia hora...
Continuo pressionando Sandra, que nega tudo. Comparo os retratos falados de três meses atrás com os feitos há pouco, não chegam nem perto de serem parecidos:
__ Diz a verdade Sandra, nunca houve sequestro, foi estelionato, você e seu comparsa fingiram o sequestro e agora que o dinheiro acabou planejaram ficar com o dinheiro do seguro de vida do seu marido.
Foi para saber isso que havia chamado novamente João Carlos, cheguei a pensar que ele estaria envolvido, mas me pareceu mais provável alguém da academia, que aliás não abriu no dia!
Demora um pouco, mas Sandra acaba confessando, entregando o amante, um instrutor da academia, e desabando em lágrimas.
Ela estica o braço para pegar um lenço de papel mas eu puxo a caixa, ainda há alguns e outras ocorrências para ouvir, posso precisar com outra pessoa!
Mando um dos investigadores recolhe- la a uma cela. Saio um pouco de dentro da minha sala para tomar um ar, me sinto incrível, ao invés de um crime resolví logo dois.
Na recepção outras pessoas com outras histórias reclamam da demora, acham um absurdo demorar tanto para fazer um boletim.
Ainda bem que não são eles os delegados!
O policial em pé a minha frente vai vomitando toda sua ocorrência para mim (Deus! Como odeio esses jargões da PM!) enquanto minha experiente escrivã, senhorita Cinthia, uma solteirona de 50 anos, vai digitando a história.
__ Estavamos em "Patru com vistas" quando "pagou" via "rede- rádio" um "QRU" de latrocínio. Fomos com uma "certa" até o "QTH" e encontramos o dono da residência "zerado" no quarto, aparentemente a pauladas, e sua esposa trancada com o filho no banheiro. Fizemos uma busca no local, mas os "malas" já tinham se evadido!
Eu fico lá... Balançando a cabeça enquanto minha atenção está focada na placa de identificação no peito do Cabo da PM a minha frente. Seu sobrenome é Cetanelle, deve ser de descendência italiana. Mas não foi isso que chamou minha atenção, foi a placa em sí que diz: CABO CETANELLE __ CÁ BOCETA NELLE!
Começo a dar risada e nem o cabo nem a escrivã entendem nada.
__Tudo bem doutor?
Digo que sim e me recomponho. Dispenso o cabo, prefiro pegar os detalhes com a família, então peço para que o policial chame a mulher da vítima... "com uma certa!" Digo irônico ao PM, mas quem entende é a senhorita Cinthia, que desvia a vista para o lado escondendo o sorrindo.
A maioria das pessoas acha que o trabalho de delegado é repleto de aventuras e mistérios como nos filmes. Tolice! Na verdade é um trabalho burocrático, passo a maior parte do tempo sentado nessa mesa, ouvindo pessoas e assinando papéis.
É no depoimento, na história ou nas lacunas dela que pode estar a solução para os casos:
Um apelido dito sem querer por um dos bandidos!
Uma cicatriz ou tatuagem percebidas pelas vítimas!
Alguma informação que os bandidos tinham e que não deveriam ter!
É afinando a história que encontramos um fio solto no novelo, o fio da meada! Daí é só puxa- lo!
A esposa do falecido entra, olhos vermelhos, lenço na mão e um belo corpo! O rosto está inchado pelas lágrimas e ela já não é nenhuma mocinha, mesmo assim é possivel perceber tratar- se de uma mulher bonita e bem cuidada.
Não emito nenhuma saudação infame do tipo: __Tudo bem?__ Apesar de ter que admitir que cometí muitas dessas gafes no inicio de minha carreira.
Apenas aponto com o braço para que ela se sente na cadeira a minha frente.
__ Pode me dizer seu nome e o nome de seu esposo?
__ Sandra Deodato, e José Henrique Deodato.
__ As idades Dona Sandra?
__ A minha é 36 e a de meu marido é... era 42!
A escrivã interrompe pedindo licença para sair da sala, eu concedo e continuo minhas perguntas:
__ Qual era a profissão dele?
__ Tinha uma empresa de embalagem plásticas.
__ Era empresário então!
__ Isso! Um microempresário!
E minha enquete segue, em meio ao som da impressora matricial trabalhando initerruptamente na recepção, Sandra responde muito claramente:
__ Estavamos morando aquí na região a cerca de três meses, nos mudamos da zona sul após um sequestro que sofrí... Não, os sequestradores não foram pegos... Meu marido pagou o resgate e só notificou a polícia após minha libertação... Sim, eram os mesmos homens! Nunca vou esquecer aqueles rostos!
Faço uma pausa nas perguntas para que a mulher chore um pouco. Empurro na direção dela a caixa de lenços de papel sobre minha mesa e espero.
__Me desculpe!
Diz a mulher após três minutos.
Digo para ela não se preocupar, para ficar a vontade, que sei que é difícil e blá blá blá... Se um dia deixar de ser delegado vou virar psicólogo!
Minha escrivã retorna com alguns papéis na mão.
Volto então ao depoimento:
__Mas me diga, Dona Sandra! Como foi que tudo aconteceu?
__ Estava em casa com meu nenem, deveria ter ido para a academia de ginástica onde malho mas ela não abriria hoje, aproveitei então para dar folga para nossa empregada.
"Meu marido chegou no horário de sempre, mas rendido por dois homens. Um deles me trancou no banheiro com meu filho e não pude ver mais nada, apenas ouví enquanto batiam no meu marido para que dissesse onde tinha dinheiro na casa. Ele apenas gritava, dez, vinte, trinta minutos... Até que não gritou mais!
Desesperada, liguei para a polícia! Mas era tarde!
Nova pausa, mesmo motivo!
Pelo jeito vou precisar comprar outra caixa de lenços!
A escrivã me dá os papéis que trouxe. É o B.O de sequestro do casal, como disse, a senhorita Cinthia é muito eficiente! Numa folheada confirmo que a história bate.
Mando a mulher para a sala ao lado fazer um novo retrato falado dos sequestradores, mas antes faço a última pergunta:
__ E havia mesmo dinheiro na casa?
A mulher me olha com olhos carregados e responde:
__ Não! Nem um centavo em casa ou no banco! Estamos numa situação muito difícil desde o sequestro.
Peço para a escrivã acompanhar Sandra até o desenhista técnico e trazer na volta o Senhor João Carlos Deodato, irmão e sócio da vítima.
__ Com licença doutor?
__ Sente- se sr. João!
Explico sobre a co- relação do assassinato com o sequestro de três meses antes e começo meu inquérito:
__ Faz idéia de por que seu irmão não acionou a polícia na época do sequestro?
__ Medo! Cansei de dizer a ele para que chama- se a polícia, mas Sandra estava grávida, para ganhar nenem, e ele quis resolver tudo o mais rápido possivel!
__ Seu irmão pagou cinquenta mil reais de resgate, sabe quanto eram seus fundos na época?
__ Ele tinha exatamente essa quantia! Cinquenta mil!
__ Interessante! E sabe quem tinha acesso aos rendimentos dele na empresa?
João Carlos precisa de um tempo para pensar.
__ Eu e os funcionários da contabilidade. Acho que só!
__ Quantos funcionários?
__ São três...
Ele me passa o nome de cada um deles e permito que se retire.
Mal a porta se fecha e alguém a abre perguntando se tenho um minuto.
__ Agora não posso, estou ocup... Ora! Mas é você seu safado! Quanto tempo! Vamos, entre!
É Alvaro, um velho amigo meu que trabalha na perícia. Havia sido escalado para o latrocínio de José Deodato e aproveitou para me visitar.
Senhorita Cinthia nos tráz café para ajudar a botar a conversa em dia:
__ E a esposa? Como estão os filhos? Precisamos marcar um churrasco! O governo tá cada dia pior! Antigamente não era assim! Tem visto o Palhares? Santista ainda!? Não cansou de sofrer? Ahahahahahhh!!!
Alvaro me mostra então as fotos tiradas por ele na cena do crime. A cabeça careca parecia uma melancia de tão inchada.
Seria duro saber se o pobre diabo havia morrido espancodo ou sufocado pois, além das mãos e dos pés, também o rosto da vítima tinha sido envolvido por fita adesiva larga, Interessante!
Vendo que estou ocupado Alvaro se despede. Acompanho meu amigo até a porta da sala, de onde chamo novamente o Cabo Cetanelle, dessa vez o trocadilho nem passa por minha cabeça!
__ Diga- me Cabo, qual foi seu procedimento e o de seu parceiro ao chegarem no local?
__ Acionei o resgate para a vítima mesmo não encontrando pulsação e arrombei a porta do banheiro de onde a esposa pedia socorro! Meu parceiro fazia varredura pela residência a procura dos criminosos!
__ Obrigado cabo, é só isso!
Peço para a escrivã trazer novamente o irmão da vítima até minha sala. Converso com ele e em seguida chamo Dona Sandra. Ela vem, já com os retratos prontos, senta- se a minha frente e eu lhe pergunto:
__ Esquecí de lhe fazer a pergunta mais importante! A quanto tempo malha na mesma academia?
A mulher fica pálida e repito a pergunta.
__ Dois anos.
Responde enfim. Eu continuo:
__ Eu ouví sua história e percebí que tem muitas pontas soltas, como quando você disse que os assaltantes perguntavam ao seu marido onde havia dinheiro. Eu nunca ví amordaçarem ninguém pra depois interrogar! Também achei estranho você não ter ligado imediatamente para a polícia após ser trancada no banheiro, segundo suas palavras você esperou cerca de meia hora...
Continuo pressionando Sandra, que nega tudo. Comparo os retratos falados de três meses atrás com os feitos há pouco, não chegam nem perto de serem parecidos:
__ Diz a verdade Sandra, nunca houve sequestro, foi estelionato, você e seu comparsa fingiram o sequestro e agora que o dinheiro acabou planejaram ficar com o dinheiro do seguro de vida do seu marido.
Foi para saber isso que havia chamado novamente João Carlos, cheguei a pensar que ele estaria envolvido, mas me pareceu mais provável alguém da academia, que aliás não abriu no dia!
Demora um pouco, mas Sandra acaba confessando, entregando o amante, um instrutor da academia, e desabando em lágrimas.
Ela estica o braço para pegar um lenço de papel mas eu puxo a caixa, ainda há alguns e outras ocorrências para ouvir, posso precisar com outra pessoa!
Mando um dos investigadores recolhe- la a uma cela. Saio um pouco de dentro da minha sala para tomar um ar, me sinto incrível, ao invés de um crime resolví logo dois.
Na recepção outras pessoas com outras histórias reclamam da demora, acham um absurdo demorar tanto para fazer um boletim.
Ainda bem que não são eles os delegados!
domingo, 27 de setembro de 2009
Uma História pelo Caminho
Geralmente escrevo sobre as histórias que vivo, sendo cinegrafista de jornalismo na madrugada isso não é difícil! Mas a história que conto agora foi ouvida por mim da boca do repórter com quem trabalho, um jornalista diferente de todos com quem já trabalhei, talvez por que venha da periferia e não de classe média como a maioria.
Viveu na pele injustiças e indiferenças e hoje orgulha- se de denuncia- las com seu trabalho. Doa a quem doer!
__Não sou assessor de imprensa de ninguém!
É seu lema!
E pelas histórias de sua vida é fácil entender como seu caráter foi formado.
Essa é apenas uma delas!
Era madrugada, já não me lembro exatamente o horário, saimos da base em direção a cidade de Francisco Morato nos arredores da capital paulista, contra minha vontade pois a matéria era sobre uma denúncia de omissão de atendimento por parte de alguns orgãos públicos. Para isso não precisavamos ir tão longe, qualquer serviço público alí no centro mesmo renderia a mesma matéria.
O melhor caminho para essa cidade é via Bandeirantes, mas como trabalhamos numa equipe reduzida (somos apenas eu, que sou cinegrafista e motorista, e o repórter, que acaba tendo que acumular a função de produtor) nossas verbas também são!
Cansados de pagar pedágio e não recebermos o reembolso, optamos por um caminho mais longo, porém sem tarifas, pela estrada Presidente Tancredo de Almeida Neves, ao fim da Raimundo Pereira de Magalhães em Perus.
Como toda estrada antiga, essa também era cheia de curvas sinuosas, buracos e escuridão, transformando uma viagem de vinte minutos numa de cento e vinte!
Mantivemos silêncio no carro por toda RPM e na Tancredo Neves de Perus até Caieiras. Eu estava de mau-humor e meu parceiro sabia respeitar isso. Mas ao chegar no entroncamento de Franco da Rocha o repórter viu aquelas bem conhecidas letras brancas de concreto com o nome da cidade e deu um pulo.
__Putz! Conheço esse caminho!
Eu não disse nada, apenas olhei para ele, que continuou.
__Quando era criança meus pais me trouxeram aqui!
Notando que viria uma de suas histórias de infância e tendo ainda um longo percurso pela frente, ajeitei- me no banco e continuei ouvindo.
__Eu tinha um tio, irmão de meu Pai, que teve de ser internado num manicômio aqui em Franco da Rocha.
"Não sei bem o que houve com ele, se foi bebida, drogas ou se simplesmente surtou, sabe como é, pra crianças os pais nunca contam muita coisa! O fato é que naquela época estresse, bipolaridade, depressão... Não existiam! Pelo menos não para nós que eramos muito pobres! Tudo tinha o mesmo nome: Loucura!
Tudo era mais difícil naquele tempo, por isso meus pais ficaram muito felizes quando conseguiram uma vaga para meu tio no hospital mental daqui, que era considerado o melhor do país, pelo menos ele teria o tratamento necessário!
Em um sábado ensolarado, uma ou duas semanas depois de seu irmão ter sido internado, meu pai resolveu trazer toda a família para visita- lo. Minha mãe, como boa dona de casa, preparou vários potes com guloseimas para nossa família e para meu tio. Eu via aquela 'viagem' como um verdadeiro pic-nic no campo, sensação que me era aumentada exatamente por esse caminho que fazemos agora, todo arborizado em seu redor!
Chegamos ao hospital de mala e cuia e fomos levados até o leito de meu tio.
Alí acabou nosso pic- nic!
Mal nos reconhecendo (e nós a ele que parecia um animal selvagem!) pulou sobre meu meu pai, que tentava conte- lo, rasgando sua camisa. Minha mãe se aproximou para ajudar seu marido e no meio da confusão os potes com comida acabaram indo ao chão, espalhando seu conteúdo por todo o quarto!
Meu tio desvencilhou- se de meu pai e acoado num canto do dormitório começou a enfiar toda aquela comida caída na boca: __ Está completamente louco! __ Disse meu pai saindo conosco daquele quarto dos horrores.
Na volta para casa nós três estavamos chocados, pude ouvir meu pai sussurrando com minha mãe: __ Está pior do que nunca! Não dá para vir aqui desse jeito!
E realmente não voltamos mais."
O repórter ficou em silêncio, mas eu sabia que sua história não havia terminado, então esperei, já estavamos na entrada da cidade e, vendo que precisava concluir logo sua história, ele continuou. Agora mais suscinto!
__Três meses depois meu tio faleceu! O laudo médico constatou que ele morreu de... FOME!
"Isso ficou na minha cabeça por anos! Será que ele estava tão louco quanto pensamos? Ou estava apenas faminto?
O fato é que o melhor hospital psiquiátrico do país deixou um de seus pacientes morrer de fome!"
Estacionei em frente ao posto médico de Francisco Morato, tinhamos chegado ao nosso destino, à nossa matéria. Não descí do carro, não antes de saber o fim da história.
__E o que aconteceu com o hospital?
Perguntei!
__Nada! Continuou sendo o melhor do país! Como disse, naquele tempo tudo era mais difícil e nós, muito pobres!
"Por isso tinhamos que vir aqui hoje, porque essas pessoas..."
E apontou para a frente do posto de saúde abarrotada de gente.
__Essas pessoas não tem ninguém para dar- lhes voz!
E desceu do carro com o microfone em punho.
Sem que visse, sorrí de admiração, peguei a câmera e, apontando para ele, disse:
__Gravando!
Viveu na pele injustiças e indiferenças e hoje orgulha- se de denuncia- las com seu trabalho. Doa a quem doer!
__Não sou assessor de imprensa de ninguém!
É seu lema!
E pelas histórias de sua vida é fácil entender como seu caráter foi formado.
Essa é apenas uma delas!
Era madrugada, já não me lembro exatamente o horário, saimos da base em direção a cidade de Francisco Morato nos arredores da capital paulista, contra minha vontade pois a matéria era sobre uma denúncia de omissão de atendimento por parte de alguns orgãos públicos. Para isso não precisavamos ir tão longe, qualquer serviço público alí no centro mesmo renderia a mesma matéria.
O melhor caminho para essa cidade é via Bandeirantes, mas como trabalhamos numa equipe reduzida (somos apenas eu, que sou cinegrafista e motorista, e o repórter, que acaba tendo que acumular a função de produtor) nossas verbas também são!
Cansados de pagar pedágio e não recebermos o reembolso, optamos por um caminho mais longo, porém sem tarifas, pela estrada Presidente Tancredo de Almeida Neves, ao fim da Raimundo Pereira de Magalhães em Perus.
Como toda estrada antiga, essa também era cheia de curvas sinuosas, buracos e escuridão, transformando uma viagem de vinte minutos numa de cento e vinte!
Mantivemos silêncio no carro por toda RPM e na Tancredo Neves de Perus até Caieiras. Eu estava de mau-humor e meu parceiro sabia respeitar isso. Mas ao chegar no entroncamento de Franco da Rocha o repórter viu aquelas bem conhecidas letras brancas de concreto com o nome da cidade e deu um pulo.
__Putz! Conheço esse caminho!
Eu não disse nada, apenas olhei para ele, que continuou.
__Quando era criança meus pais me trouxeram aqui!
Notando que viria uma de suas histórias de infância e tendo ainda um longo percurso pela frente, ajeitei- me no banco e continuei ouvindo.
__Eu tinha um tio, irmão de meu Pai, que teve de ser internado num manicômio aqui em Franco da Rocha.
"Não sei bem o que houve com ele, se foi bebida, drogas ou se simplesmente surtou, sabe como é, pra crianças os pais nunca contam muita coisa! O fato é que naquela época estresse, bipolaridade, depressão... Não existiam! Pelo menos não para nós que eramos muito pobres! Tudo tinha o mesmo nome: Loucura!
Tudo era mais difícil naquele tempo, por isso meus pais ficaram muito felizes quando conseguiram uma vaga para meu tio no hospital mental daqui, que era considerado o melhor do país, pelo menos ele teria o tratamento necessário!
Em um sábado ensolarado, uma ou duas semanas depois de seu irmão ter sido internado, meu pai resolveu trazer toda a família para visita- lo. Minha mãe, como boa dona de casa, preparou vários potes com guloseimas para nossa família e para meu tio. Eu via aquela 'viagem' como um verdadeiro pic-nic no campo, sensação que me era aumentada exatamente por esse caminho que fazemos agora, todo arborizado em seu redor!
Chegamos ao hospital de mala e cuia e fomos levados até o leito de meu tio.
Alí acabou nosso pic- nic!
Mal nos reconhecendo (e nós a ele que parecia um animal selvagem!) pulou sobre meu meu pai, que tentava conte- lo, rasgando sua camisa. Minha mãe se aproximou para ajudar seu marido e no meio da confusão os potes com comida acabaram indo ao chão, espalhando seu conteúdo por todo o quarto!
Meu tio desvencilhou- se de meu pai e acoado num canto do dormitório começou a enfiar toda aquela comida caída na boca: __ Está completamente louco! __ Disse meu pai saindo conosco daquele quarto dos horrores.
Na volta para casa nós três estavamos chocados, pude ouvir meu pai sussurrando com minha mãe: __ Está pior do que nunca! Não dá para vir aqui desse jeito!
E realmente não voltamos mais."
O repórter ficou em silêncio, mas eu sabia que sua história não havia terminado, então esperei, já estavamos na entrada da cidade e, vendo que precisava concluir logo sua história, ele continuou. Agora mais suscinto!
__Três meses depois meu tio faleceu! O laudo médico constatou que ele morreu de... FOME!
"Isso ficou na minha cabeça por anos! Será que ele estava tão louco quanto pensamos? Ou estava apenas faminto?
O fato é que o melhor hospital psiquiátrico do país deixou um de seus pacientes morrer de fome!"
Estacionei em frente ao posto médico de Francisco Morato, tinhamos chegado ao nosso destino, à nossa matéria. Não descí do carro, não antes de saber o fim da história.
__E o que aconteceu com o hospital?
Perguntei!
__Nada! Continuou sendo o melhor do país! Como disse, naquele tempo tudo era mais difícil e nós, muito pobres!
"Por isso tinhamos que vir aqui hoje, porque essas pessoas..."
E apontou para a frente do posto de saúde abarrotada de gente.
__Essas pessoas não tem ninguém para dar- lhes voz!
E desceu do carro com o microfone em punho.
Sem que visse, sorrí de admiração, peguei a câmera e, apontando para ele, disse:
__Gravando!
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Uma Frase p/ Hoje
Um jornalista que se importa mais com o furo dado do que com a informação transmitida não sabe diferenciar a fofoca da notícia.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
O Legal e o Correto
Em frente ao distrito policial do Jabaquara um pai expressava ao telefone todo seu desespero e revolta ao saber que o homem que havia violentado sua filha de 11 anos seria liberado pelo delegado após a elaboração do boletim de ocorrência.
Era para a corregedoria da polícia civil que ele havia ligado, aconselhado pelos próprios investigadores da delegacia que discordavam dos procedimentos adotados pelo delegado que a apenas duas semanas sustentava o cargo. Um novato!
Burocraticamente estava tudo correto: Já havia passado mais de 48 horas do ocorrido, deixando assim de caracterizar flagrante delito. As duas partes seriam ouvidas e liberadas esperando o resultado dos exames médicos legais da menor para o prosseguimento do processo.
E foi isso que aquele pai ouviu da corregedoria, que os procedimentos estavam dentro da legalidade!
No papel soava muito bem mesmo, como 1 + 1 = 2, mas o direito faz parte das ciências humanas e não das exatas e cada história deve ser analizada individualmente, com base nas pessoas envolvidas nela, não por formulas prontas num papel.
Se já havia passado o tempo estipulado para caracterização de flagrante foi porque a menina de onze anos, além de ser arrastada para uma construção abandonada, amarrada, amordaçada e estuprada por três horas, também foi coagida com um revólver em seu rosto a manter silêncio ou ela e toda sua família morreriam.
Entendo a raiva do pai, que invadiu a delegacia para agredir o acusado e teve de ser contido pelos policiais.
Em seu lugar também tentaria fazer justiça com minhas próprias mãos já que o "longo" braço da lei não estava alcançando o bom senso!
Em certo momento esse pai fala com os corregedores sobre a presença da imprensa no local.
Em quinze minutos uma viatura é enviada ao distríto!
O discurso muda. Os policiais da corregedoria apertam o suspeito com um pouco mais de empenho e ele acaba confessando o crime, ficam "indignados" pelo delegado não ter pedido ainda a prisão temporária do criminoso (os investigadores são obrigados a esconder o sorriso).
Até mesmo aconselham o pai a abrir processo contra o delegado por prevaricação.
Tudo isso podia ter sido evitado.
Bastava o bom senso de diferenciar o que é legal do que é correto.
Era para a corregedoria da polícia civil que ele havia ligado, aconselhado pelos próprios investigadores da delegacia que discordavam dos procedimentos adotados pelo delegado que a apenas duas semanas sustentava o cargo. Um novato!
Burocraticamente estava tudo correto: Já havia passado mais de 48 horas do ocorrido, deixando assim de caracterizar flagrante delito. As duas partes seriam ouvidas e liberadas esperando o resultado dos exames médicos legais da menor para o prosseguimento do processo.
E foi isso que aquele pai ouviu da corregedoria, que os procedimentos estavam dentro da legalidade!
No papel soava muito bem mesmo, como 1 + 1 = 2, mas o direito faz parte das ciências humanas e não das exatas e cada história deve ser analizada individualmente, com base nas pessoas envolvidas nela, não por formulas prontas num papel.
Se já havia passado o tempo estipulado para caracterização de flagrante foi porque a menina de onze anos, além de ser arrastada para uma construção abandonada, amarrada, amordaçada e estuprada por três horas, também foi coagida com um revólver em seu rosto a manter silêncio ou ela e toda sua família morreriam.
Entendo a raiva do pai, que invadiu a delegacia para agredir o acusado e teve de ser contido pelos policiais.
Em seu lugar também tentaria fazer justiça com minhas próprias mãos já que o "longo" braço da lei não estava alcançando o bom senso!
Em certo momento esse pai fala com os corregedores sobre a presença da imprensa no local.
Em quinze minutos uma viatura é enviada ao distríto!
O discurso muda. Os policiais da corregedoria apertam o suspeito com um pouco mais de empenho e ele acaba confessando o crime, ficam "indignados" pelo delegado não ter pedido ainda a prisão temporária do criminoso (os investigadores são obrigados a esconder o sorriso).
Até mesmo aconselham o pai a abrir processo contra o delegado por prevaricação.
Tudo isso podia ter sido evitado.
Bastava o bom senso de diferenciar o que é legal do que é correto.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
A Foto do Pescador
Um sujeito e tanto aquele José Patrício, um desses tipos que poderia muito bem ter saido da tela de algum filme do cinema noir.
Um fotógrafo experiente, de humor sarcástico. Sabia falar a linguagem das ruas, se fazendo entender e respeitar tanto pela polícia, quanto pelos bandidos, ou "malas" como ele preferia dizer em gíria policial.
Tinha mais de vinte anos de janela, grande parte deles no jornalismo policial. Atualmente trabalhava no pomposo "O Estado de São Paulo", mas havia feito carreira no extinto "Notícias Populares".
O NP sempre foi considerado por muitos como um tablóide de sensacionalismo barato, pois que não falassem isso perto do Patrício! Ele tinha tanto orgulho de ter trabalhado nesse jornal que até os dias de hoje contava os "causos" daquela época, sacando do bolso recortes de jornal, já amarelados pelo tempo, com a matéria que acabara de contar.
Era a foto do pescador! Uma prova de veracidade da história contada!
Seu recorte preferido falava de uma chacina onde um dos "mortos" havia se levantado e se entregado a polícia numa verdadeira "volta dos mortos vivos".
Nos divertíamos ouvindo essa história, de como ele percebeu, enquanto tirava fotografias das vítimas caídas no chão, que uma delas ainda respirava!
__ Chefão! Esse aquí ainda está respirando!
Disse ele ao policial no local.
__ É impressão sua!
Foi a resposta que ouviu!
Ficou lá, encucado com aquilo, até que chegou ao local a polícia civil e, para espanto de todos, o "morto" se levantou correndo e se jogou dentro da viatura.
O homem havia se fingindo de morto pois os policiais militares lá presentes eram os responsáveis pela chacina, quando os civis chegaram foi sua chance de sair vivo dalí!
Essa era apenas uma entre várias histórias.
O fato é que, sensacionalista ou não, foi do NP que sairam alguns dos maiores nomes do fotojornalismo nacional, tanto que o Patrício foi o único fotógrafo até hoje que ví conseguir publicar uma foto de chacina com corpos expostos no Estadão (se não me engano foi até capa dessa edição), acabando com o mito de que esse jornal não publicava corpos de mortos.
__ Basta saber fazer velhinho!
Ele dizia rindo!
Não era o único, mas era um dos poucos que sabia o nome e o número de cada delegacia de São Paulo, e mais, tinha uma história para contar sobre cada uma delas!
__ 1° Dp, Sé, alí na rua da Glória. Dizem qua esse distrito é assombrado! Deve ser, mas por funcionários fantasmas que nunca passam nada pra gente!
"2° Dp, Bom Retiro... "
E sua lista ia até o 103° Dp em Itaquera sem gaguejar.
No 14° Dp, em Pinheiros fiz parte de um de seus "causos", talvez não tão dramático quanto o morto vivo, mas que me foi uma verdadeira lição de jornalismo.
Aconteceu na mesma época em que o conhecí. Eu já trabalhava com jornalismo há algum tempo, mas era um novato na madrugada e posso afirmar tratar- se de outro jornalismo nesse horário!
A madrugada talvez seja o último refúgio da reportagem policial, ao menos a legítima! Diferente do dia, nesse horário não existe matérias mastigadas. Aos repórteres são necessários muito jogo de cintura e perspicácia para se decifrar os casos, montando os fatos como num quebra cabeça.
A história no 14° distrito nos chegou da seguinte forma:
A PM teria abordado bandidos em um veículo, roubado de um tenente da polícia militar alguns minutos antes e, após troca de tiros, os marginais teriam morrido.
Nos dirigimos para a delegacia onde o sargento responsável pela ocorrência nos deu uma entrevista padrão:
__ Foi pago via rede rádio o furto do carro do Tenente Calavare estacionado em frente a residência do mesmo.
"Em patrulhamento pela região nossa equipe se deparou com os indivíduos no veículo roubado. Na tentativa de evadirem- se do local os criminosos efetuaram disparos contra a guarnição que, em resposta a injusta agressão, teve pronta resposta atingindo os meliantes."
"Socorridos ao hospital mais próximo, não resistiram aos ferimentos e infelizmente entraram em óbito."
O sargento sacou então de dentro de sua viatura uma pistola desmuniciada e um pente de balas que teriam sido usados pelos criminosos na troca de tiros, colocando ambos os objetos sobre o capô do carro para que fossem feitas as imagens necessárias.
Acostumado a esse tipo de situação o José Patrício logo pediu autorização para mexer na arma e no pente e coloca- los na melhor posição para fotografa- los.
__ Fique a vontade!
Responde o sargento.
Essa melhor posição consistia em enfiar o pente dentro do arco protetor do gatilho da pistola, utilizando- o como suporte para manter o armamento em pé sobre o capô do carro.
Isso pode parecer não fazer diferença alguma, mas quem entende de imagem sabe que descolando o objeto de interesse da superfície em que se encontra ganha- se profundidade de campo, valorizando a fotografia.
Tentou, tentou, tentou e nada, o pente não entrava naquele gatilho de forma alguma!
O Patrício olhou irritado para a pistola e o pente e pondo- os de volta sobre o capô, um ao lado do outro, disse:
__ Vai assim mesmo!
E enquanto fotografava a pistola e o pente, o resto das pessoas alí presentes (imprensa, policiais, curiosos) ria dele e de seu desconcerto pela inabilidade com o armamento.
Matéria terminada, fomos para o Bar Estadão comer seu famoso lanche de pernil, enquanto comia aproveitei para tirar o sarro do Patrício:
__ Aquela pistola te derrubou, hein!?
Muito serio, ele olhou para mim por cima dos óculos.
__ Velhinho! Sabia que todo pente encaixa dentro da pistola a que pertence! É padrão de fábrica! Quando não encaixa é porque não pertence a ela!
Eu fiquei mudo enquanto ele continuou:
__ Quando ví que não encaixava dei uma bela olhada. Primeiro na pistola, uma bela 380 cromada! Depois nas balas do pente, não eram de 380, mas sim de 9mm.
"Não houve troca de tiros, pelo menos não com aquela pistola, que os pm's devem ter montado de improviso."
"O que provavelmente aconteceu é que os 'malas' deram o azar de roubar o carro da um tenente e foram executados por isso!"
De repente aquela situação perdeu a graça, enquanto estavamos rindo do Patrício os policiais nos enganavam e riam, não dele, mas de nós!
No fim ele era o único que sabia a verdade, isso porque não se limitou na versão oficial e montou os fatos, como num quebra cabeça.
Como já disse antes, um sujeito e tanto aquele José Patrício!
Um fotógrafo experiente, de humor sarcástico. Sabia falar a linguagem das ruas, se fazendo entender e respeitar tanto pela polícia, quanto pelos bandidos, ou "malas" como ele preferia dizer em gíria policial.
Tinha mais de vinte anos de janela, grande parte deles no jornalismo policial. Atualmente trabalhava no pomposo "O Estado de São Paulo", mas havia feito carreira no extinto "Notícias Populares".
O NP sempre foi considerado por muitos como um tablóide de sensacionalismo barato, pois que não falassem isso perto do Patrício! Ele tinha tanto orgulho de ter trabalhado nesse jornal que até os dias de hoje contava os "causos" daquela época, sacando do bolso recortes de jornal, já amarelados pelo tempo, com a matéria que acabara de contar.
Era a foto do pescador! Uma prova de veracidade da história contada!
Seu recorte preferido falava de uma chacina onde um dos "mortos" havia se levantado e se entregado a polícia numa verdadeira "volta dos mortos vivos".
Nos divertíamos ouvindo essa história, de como ele percebeu, enquanto tirava fotografias das vítimas caídas no chão, que uma delas ainda respirava!
__ Chefão! Esse aquí ainda está respirando!
Disse ele ao policial no local.
__ É impressão sua!
Foi a resposta que ouviu!
Ficou lá, encucado com aquilo, até que chegou ao local a polícia civil e, para espanto de todos, o "morto" se levantou correndo e se jogou dentro da viatura.
O homem havia se fingindo de morto pois os policiais militares lá presentes eram os responsáveis pela chacina, quando os civis chegaram foi sua chance de sair vivo dalí!
Essa era apenas uma entre várias histórias.
O fato é que, sensacionalista ou não, foi do NP que sairam alguns dos maiores nomes do fotojornalismo nacional, tanto que o Patrício foi o único fotógrafo até hoje que ví conseguir publicar uma foto de chacina com corpos expostos no Estadão (se não me engano foi até capa dessa edição), acabando com o mito de que esse jornal não publicava corpos de mortos.
__ Basta saber fazer velhinho!
Ele dizia rindo!
Não era o único, mas era um dos poucos que sabia o nome e o número de cada delegacia de São Paulo, e mais, tinha uma história para contar sobre cada uma delas!
__ 1° Dp, Sé, alí na rua da Glória. Dizem qua esse distrito é assombrado! Deve ser, mas por funcionários fantasmas que nunca passam nada pra gente!
"2° Dp, Bom Retiro... "
E sua lista ia até o 103° Dp em Itaquera sem gaguejar.
No 14° Dp, em Pinheiros fiz parte de um de seus "causos", talvez não tão dramático quanto o morto vivo, mas que me foi uma verdadeira lição de jornalismo.
Aconteceu na mesma época em que o conhecí. Eu já trabalhava com jornalismo há algum tempo, mas era um novato na madrugada e posso afirmar tratar- se de outro jornalismo nesse horário!
A madrugada talvez seja o último refúgio da reportagem policial, ao menos a legítima! Diferente do dia, nesse horário não existe matérias mastigadas. Aos repórteres são necessários muito jogo de cintura e perspicácia para se decifrar os casos, montando os fatos como num quebra cabeça.
A história no 14° distrito nos chegou da seguinte forma:
A PM teria abordado bandidos em um veículo, roubado de um tenente da polícia militar alguns minutos antes e, após troca de tiros, os marginais teriam morrido.
Nos dirigimos para a delegacia onde o sargento responsável pela ocorrência nos deu uma entrevista padrão:
__ Foi pago via rede rádio o furto do carro do Tenente Calavare estacionado em frente a residência do mesmo.
"Em patrulhamento pela região nossa equipe se deparou com os indivíduos no veículo roubado. Na tentativa de evadirem- se do local os criminosos efetuaram disparos contra a guarnição que, em resposta a injusta agressão, teve pronta resposta atingindo os meliantes."
"Socorridos ao hospital mais próximo, não resistiram aos ferimentos e infelizmente entraram em óbito."
O sargento sacou então de dentro de sua viatura uma pistola desmuniciada e um pente de balas que teriam sido usados pelos criminosos na troca de tiros, colocando ambos os objetos sobre o capô do carro para que fossem feitas as imagens necessárias.
Acostumado a esse tipo de situação o José Patrício logo pediu autorização para mexer na arma e no pente e coloca- los na melhor posição para fotografa- los.
__ Fique a vontade!
Responde o sargento.
Essa melhor posição consistia em enfiar o pente dentro do arco protetor do gatilho da pistola, utilizando- o como suporte para manter o armamento em pé sobre o capô do carro.
Isso pode parecer não fazer diferença alguma, mas quem entende de imagem sabe que descolando o objeto de interesse da superfície em que se encontra ganha- se profundidade de campo, valorizando a fotografia.
Tentou, tentou, tentou e nada, o pente não entrava naquele gatilho de forma alguma!
O Patrício olhou irritado para a pistola e o pente e pondo- os de volta sobre o capô, um ao lado do outro, disse:
__ Vai assim mesmo!
E enquanto fotografava a pistola e o pente, o resto das pessoas alí presentes (imprensa, policiais, curiosos) ria dele e de seu desconcerto pela inabilidade com o armamento.
Matéria terminada, fomos para o Bar Estadão comer seu famoso lanche de pernil, enquanto comia aproveitei para tirar o sarro do Patrício:
__ Aquela pistola te derrubou, hein!?
Muito serio, ele olhou para mim por cima dos óculos.
__ Velhinho! Sabia que todo pente encaixa dentro da pistola a que pertence! É padrão de fábrica! Quando não encaixa é porque não pertence a ela!
Eu fiquei mudo enquanto ele continuou:
__ Quando ví que não encaixava dei uma bela olhada. Primeiro na pistola, uma bela 380 cromada! Depois nas balas do pente, não eram de 380, mas sim de 9mm.
"Não houve troca de tiros, pelo menos não com aquela pistola, que os pm's devem ter montado de improviso."
"O que provavelmente aconteceu é que os 'malas' deram o azar de roubar o carro da um tenente e foram executados por isso!"
De repente aquela situação perdeu a graça, enquanto estavamos rindo do Patrício os policiais nos enganavam e riam, não dele, mas de nós!
No fim ele era o único que sabia a verdade, isso porque não se limitou na versão oficial e montou os fatos, como num quebra cabeça.
Como já disse antes, um sujeito e tanto aquele José Patrício!
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Flagrante não consumado
Foi uma madrugada péssima para a GCM!
Em São Miguel um GCM é preso após roubar uma carga de café, como se não fosse suficiente seu inspetor, que foi obrigado a comparecer no 59° Dp, teve a infelicidade de coagir a vítima a não nos dar entrevista próximo ao repórter. Conclusão! Uma discussão daquelas, onde tudo foi gravado por minha câmera.
Fomos então até a sede da Guarda Civil para fazer algumas imagens e descobrímos que ela já estava dois dias sem energia elétrica.
Coincidentemente, num terreno baldio a menos de 500 metros da base, alguns homens faziam uma fogueira que me chamou a atenção pelas cores azuladas e púrpuras das chamas, tonalidades comuns ante a presença de cobre, ou seja, provavelmente ladrões de cobre estavam roubando a fiação e deixando a sede da GCM no escuro, era o que tudo indicava, mas infelizmente não tivemos tempo para este flagrante!
Em São Miguel um GCM é preso após roubar uma carga de café, como se não fosse suficiente seu inspetor, que foi obrigado a comparecer no 59° Dp, teve a infelicidade de coagir a vítima a não nos dar entrevista próximo ao repórter. Conclusão! Uma discussão daquelas, onde tudo foi gravado por minha câmera.
Fomos então até a sede da Guarda Civil para fazer algumas imagens e descobrímos que ela já estava dois dias sem energia elétrica.
Coincidentemente, num terreno baldio a menos de 500 metros da base, alguns homens faziam uma fogueira que me chamou a atenção pelas cores azuladas e púrpuras das chamas, tonalidades comuns ante a presença de cobre, ou seja, provavelmente ladrões de cobre estavam roubando a fiação e deixando a sede da GCM no escuro, era o que tudo indicava, mas infelizmente não tivemos tempo para este flagrante!
Estagiários
__ Como assim: “Sou jurado de morte na favela de Paraisópolis!”
Essa era a nossa estagiária (aquele doce de menina que estava nos acompanhando durante algumas madrugadas em busca de experiência) perguntando, com a mais meiga das caras de espanto, ao reporter sobre sua mais recente revelação.
O detalhe é que estávamos bem no meio da referida favela onde ele era jurado, sozinhos! Eu, o reporter e ela, uma estagiária interessada no trabalho de campo, esperando sua chance ao sol (ou à lua, como era nosso caso).
Como resposta o reporter apenas ria, ele era assim, maluco! Não sei o que corria em suas veias, mas acredito que corria nas minhas, pois, quando me dei conta, estava rindo também.
__ Se segurem!
Esse era eu. Um motorista/assistente/cinegrafista com uma leve tendência a destruir viaturas.
No momento me preparava para cruzar com a de número 511 por dentro de um córrego de esgoto no fim de uma viela escura. Voltar de ré por aquela rua, teoricamente sem saída, é que eu não ia!
Cada um de meus passageiros esboçava uma reação diferente:
__ Não passa não velhinho! Velhinho! Caralho!!!
Esse era o repórter. A estagiária era mais cristã:
__ Aí meu Deus! Aí meu Deeeeeeeeeeeeeeus!
Quando perceberam, já estávamos do outro lado. Eu e o repórter continuávamos rindo. A garota, atracada com um braço em cada encosto dos bancos dianteiros, espaço reservado aos curiosos, nem tanto.
Pode parecer loucura, com certeza a nossa ilustre convidada achou isso, pois nunca mais saiu conosco, mas não é. O repórter entendia isso. Trabalhávamos há algum tempo juntos, nos conhecíamos bem e pensávamos de forma muito parecida.
Quando entramos naquela viela, pedimos indicação de caminho até o incêndio que procurávamos (essa era nossa matéria, por isso estávamos ali) à três homens que mexiam em um carro, atitude por si só muito suspeita ás duas da manhã, eles haviam nos orientado para que fossemos até o final daquela passagem, dessa forma chegaríamos ao nosso destino.
O fato é que não havia incêndio nenhum lá, só um beco sem saída. Seria esse nosso destino?
Não naquele dia!
Pode até ser que aqueles homens tivessem se enganado e não pretendessem nos fazer mal algum. Mas na minha experiência, ninguém manda outra pessoa até um lugar ermo como aquele a tôa.
Se a estagiária tivesse percebido do que havia escapado, com certeza estaria rindo também! Ou não!
Isso aconteceu a cerca de um ano e meio, a estagiária agora é produtora e o ciclo continua!
Mais recentemente outro estagiário saiu conosco, riu de mim quando eu disse que não gravaria vinte vezes a mesma passagem com ele até que acertasse o texto.
__ Vinte vezes também não né?
Foi sua resposta arrogante.
Acho interessante o jeito como os estagiários acham que sabem de tudo! O fato é que ao fim de uma matéria o repórter permitiu que ele segurasse o microfone durante a coletiva com o oficial de polícia, fiz questão de colocar sua mão trêmula em quadro, parecia que segurava um chocalho ao lado dos cubos das outras emissoras.
Ao fim da entrevista ele explicou- se dizendo que estava muito frio, contraditoriamente ao "frio" que ele sentia seu rosto estava vermelho, quase suado. Foi minha vez de rir e dizer!
__ Ainda acha que vinte vezes são poucas!?
Dessa vez ele ficou quieto, mas isso é bom! Para um reporter é mais importante ouvir do que falar, com certeza aquele estagiário aprendeu uma lição e será um bom jornalista, mas na hora certa.
Esse é o ciclo!
Essa era a nossa estagiária (aquele doce de menina que estava nos acompanhando durante algumas madrugadas em busca de experiência) perguntando, com a mais meiga das caras de espanto, ao reporter sobre sua mais recente revelação.
O detalhe é que estávamos bem no meio da referida favela onde ele era jurado, sozinhos! Eu, o reporter e ela, uma estagiária interessada no trabalho de campo, esperando sua chance ao sol (ou à lua, como era nosso caso).
Como resposta o reporter apenas ria, ele era assim, maluco! Não sei o que corria em suas veias, mas acredito que corria nas minhas, pois, quando me dei conta, estava rindo também.
__ Se segurem!
Esse era eu. Um motorista/assistente/cinegrafista com uma leve tendência a destruir viaturas.
No momento me preparava para cruzar com a de número 511 por dentro de um córrego de esgoto no fim de uma viela escura. Voltar de ré por aquela rua, teoricamente sem saída, é que eu não ia!
Cada um de meus passageiros esboçava uma reação diferente:
__ Não passa não velhinho! Velhinho! Caralho!!!
Esse era o repórter. A estagiária era mais cristã:
__ Aí meu Deus! Aí meu Deeeeeeeeeeeeeeus!
Quando perceberam, já estávamos do outro lado. Eu e o repórter continuávamos rindo. A garota, atracada com um braço em cada encosto dos bancos dianteiros, espaço reservado aos curiosos, nem tanto.
Pode parecer loucura, com certeza a nossa ilustre convidada achou isso, pois nunca mais saiu conosco, mas não é. O repórter entendia isso. Trabalhávamos há algum tempo juntos, nos conhecíamos bem e pensávamos de forma muito parecida.
Quando entramos naquela viela, pedimos indicação de caminho até o incêndio que procurávamos (essa era nossa matéria, por isso estávamos ali) à três homens que mexiam em um carro, atitude por si só muito suspeita ás duas da manhã, eles haviam nos orientado para que fossemos até o final daquela passagem, dessa forma chegaríamos ao nosso destino.
O fato é que não havia incêndio nenhum lá, só um beco sem saída. Seria esse nosso destino?
Não naquele dia!
Pode até ser que aqueles homens tivessem se enganado e não pretendessem nos fazer mal algum. Mas na minha experiência, ninguém manda outra pessoa até um lugar ermo como aquele a tôa.
Se a estagiária tivesse percebido do que havia escapado, com certeza estaria rindo também! Ou não!
Isso aconteceu a cerca de um ano e meio, a estagiária agora é produtora e o ciclo continua!
Mais recentemente outro estagiário saiu conosco, riu de mim quando eu disse que não gravaria vinte vezes a mesma passagem com ele até que acertasse o texto.
__ Vinte vezes também não né?
Foi sua resposta arrogante.
Acho interessante o jeito como os estagiários acham que sabem de tudo! O fato é que ao fim de uma matéria o repórter permitiu que ele segurasse o microfone durante a coletiva com o oficial de polícia, fiz questão de colocar sua mão trêmula em quadro, parecia que segurava um chocalho ao lado dos cubos das outras emissoras.
Ao fim da entrevista ele explicou- se dizendo que estava muito frio, contraditoriamente ao "frio" que ele sentia seu rosto estava vermelho, quase suado. Foi minha vez de rir e dizer!
__ Ainda acha que vinte vezes são poucas!?
Dessa vez ele ficou quieto, mas isso é bom! Para um reporter é mais importante ouvir do que falar, com certeza aquele estagiário aprendeu uma lição e será um bom jornalista, mas na hora certa.
Esse é o ciclo!
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Teatro do Absurdo - A crônica
A TV ligada enquanto trabalhava era de praxe, mal prestava atenção a ela.
Foi só quando ouviu o nome do amigo que largou o pincel de lado e pôs- se a assistir ao telejornal.
"... ele, um senhor já idoso, é considerado o maior contrabandista do mundo."
"Foi preso no fim da noite do dia 24 em posse da mercadoria ilegal, que, segundo os federais, já estava pronta para ser distribuída por toda a cidade durante a madrugada."
"Aquí ao meu lado está o delegado responsável pela operação, batizada como Boneco de neve, Doutor Pedro Lobo."
"Além de contrabando, por quais outros crimes o suspeito deve responder Doutor?"
"Bom dia Cristina! Bom, a lista é grande: Sonegação de impostos; Invasão de domicílio; Falsidade ideológica (pois descobrimos que o preso possuia um nome para cada país onde atuava, ou seja, EUA, Alemanha, Brasil, Finlânlia, Inglaterra...); Posse ilegal de animais silvestres (nós encontramos uma espécie de servo na fábrica onde os produtos eram confeccionados.); Trabalho escravo e cárcere privado (pois os funcionários da fábrica eram forçados a dormirem no estabelecimento e trabalharem sem receber sequer salários.); E por último, mas não menos importante, estamos levantando provas para indiciá- lo por pedofilia, já temos dezenas de fotos do suspeitos com crianças das mais variadas idades em seu colo."
"E como ele fazia para atrair essas vítimas, Doutor?"
"Utilizava doces e brinquedos como artifício, Cristina!"
"Obrigado Doutor! Eu sou Cristina Novaes, direto da sede da Polícia Federal, para o Jornal..."
O coelho desligou a TV e pensou aborrecido.
"Pobre Noel!"
Pegou de volta o pincel e continuou pintando seus ovos.
Nota do autor: Sei que este conto surreal pode parecer não ter ligação com os outros textos deste blog, eu mesmo o havia publicado apenas em meu outro blog (www.terradamiscelanea.blogspot.com)que é focado mais na escrita artistica, mas hoje, assistindo aos telejornais durante a tarde, me lembrei dos motivos que me levaram a escreve- lo.
O Sensacionalismo e a falta de apuração.
Verdadeiras caçadas as bruxas são promovidas e executadas antes que se tenha solidez nos fatos.
Casos como o da escola Base continuam acontecendo e o absurdo passou a ser normal.
Como as operações de nomes mirabolantes da polícia federal: Satiagarra, Navalha... (Deve ter um funcionário apenas para bolar um nome, aliás, se houver, ele deveria ser contratado pelos jornais impressos para escrever as manchetes!) inumeras operações para ingles ver... Pela TV! Pelo rádio! Pelos jornais! Num imenso teatro armado onde, no fim da peça, todos os atores vão para casa.
É o que acontece, ninguém fica preso e só quem é lesado é o "respeitável" público que deixou seu dinheiro na bilheteria.
Vivendo, juntamente com o repórter com quem trabalho, de mãos atadas (porém limpas! Um dos motivos pelo qual nos exilamos na madrugada) nessa realidade, comentei com ele em tom de brincadeira que o absurdo era tamanho, que qualquer dia teria uma operação para prender o Papai Noel como contrabandista. Começamos a divagar sobre o fato e os possíveis artigos pelo qual ele assinaria e, enfim, surgiu um conto que de forma lúdica fala sohre inocentes sendo cruscificados para o entretenimento alheio e com grande parte da população vendo absurdos acontecerem como se fosse a coisa mais normal do mundo sem se tocarem que poderia ter sido com eles.
Por esses motivos precisava publicar aqui este conto que, exatamente por ser surreal, mostra muito bem a realidade em que vivemos.
Foi só quando ouviu o nome do amigo que largou o pincel de lado e pôs- se a assistir ao telejornal.
"... ele, um senhor já idoso, é considerado o maior contrabandista do mundo."
"Foi preso no fim da noite do dia 24 em posse da mercadoria ilegal, que, segundo os federais, já estava pronta para ser distribuída por toda a cidade durante a madrugada."
"Aquí ao meu lado está o delegado responsável pela operação, batizada como Boneco de neve, Doutor Pedro Lobo."
"Além de contrabando, por quais outros crimes o suspeito deve responder Doutor?"
"Bom dia Cristina! Bom, a lista é grande: Sonegação de impostos; Invasão de domicílio; Falsidade ideológica (pois descobrimos que o preso possuia um nome para cada país onde atuava, ou seja, EUA, Alemanha, Brasil, Finlânlia, Inglaterra...); Posse ilegal de animais silvestres (nós encontramos uma espécie de servo na fábrica onde os produtos eram confeccionados.); Trabalho escravo e cárcere privado (pois os funcionários da fábrica eram forçados a dormirem no estabelecimento e trabalharem sem receber sequer salários.); E por último, mas não menos importante, estamos levantando provas para indiciá- lo por pedofilia, já temos dezenas de fotos do suspeitos com crianças das mais variadas idades em seu colo."
"E como ele fazia para atrair essas vítimas, Doutor?"
"Utilizava doces e brinquedos como artifício, Cristina!"
"Obrigado Doutor! Eu sou Cristina Novaes, direto da sede da Polícia Federal, para o Jornal..."
O coelho desligou a TV e pensou aborrecido.
"Pobre Noel!"
Pegou de volta o pincel e continuou pintando seus ovos.
Nota do autor: Sei que este conto surreal pode parecer não ter ligação com os outros textos deste blog, eu mesmo o havia publicado apenas em meu outro blog (www.terradamiscelanea.blogspot.com)que é focado mais na escrita artistica, mas hoje, assistindo aos telejornais durante a tarde, me lembrei dos motivos que me levaram a escreve- lo.
O Sensacionalismo e a falta de apuração.
Verdadeiras caçadas as bruxas são promovidas e executadas antes que se tenha solidez nos fatos.
Casos como o da escola Base continuam acontecendo e o absurdo passou a ser normal.
Como as operações de nomes mirabolantes da polícia federal: Satiagarra, Navalha... (Deve ter um funcionário apenas para bolar um nome, aliás, se houver, ele deveria ser contratado pelos jornais impressos para escrever as manchetes!) inumeras operações para ingles ver... Pela TV! Pelo rádio! Pelos jornais! Num imenso teatro armado onde, no fim da peça, todos os atores vão para casa.
É o que acontece, ninguém fica preso e só quem é lesado é o "respeitável" público que deixou seu dinheiro na bilheteria.
Vivendo, juntamente com o repórter com quem trabalho, de mãos atadas (porém limpas! Um dos motivos pelo qual nos exilamos na madrugada) nessa realidade, comentei com ele em tom de brincadeira que o absurdo era tamanho, que qualquer dia teria uma operação para prender o Papai Noel como contrabandista. Começamos a divagar sobre o fato e os possíveis artigos pelo qual ele assinaria e, enfim, surgiu um conto que de forma lúdica fala sohre inocentes sendo cruscificados para o entretenimento alheio e com grande parte da população vendo absurdos acontecerem como se fosse a coisa mais normal do mundo sem se tocarem que poderia ter sido com eles.
Por esses motivos precisava publicar aqui este conto que, exatamente por ser surreal, mostra muito bem a realidade em que vivemos.
domingo, 23 de agosto de 2009
Coragem
Uma das atitudes mais corajosas que já ví.
Um soldado dar voz de prisão para seu superior, um sargento da polícia militar.
Os policiais, que eram parceiros, recuperaram um veículo roubado. Antes de leva- lo para a delegacia da área, o sargento tentou roubar o aparelho de som do carro, sendo impedido pelo soldado.
O sargento sentiu- se indignado.
"Sou seu superior!"
Dizia ao soldado.
Mas ele não se intimidou, acionou o comando, que naquela noite estava ao encargo de um tenente, e fez com que o sargento fosse preso.
Penso na força de caráter desse soldado, que fez uma das coisas mais difíceis em qualquer profissão que é romper com o corporativismo.
Um soldado dar voz de prisão para seu superior, um sargento da polícia militar.
Os policiais, que eram parceiros, recuperaram um veículo roubado. Antes de leva- lo para a delegacia da área, o sargento tentou roubar o aparelho de som do carro, sendo impedido pelo soldado.
O sargento sentiu- se indignado.
"Sou seu superior!"
Dizia ao soldado.
Mas ele não se intimidou, acionou o comando, que naquela noite estava ao encargo de um tenente, e fez com que o sargento fosse preso.
Penso na força de caráter desse soldado, que fez uma das coisas mais difíceis em qualquer profissão que é romper com o corporativismo.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Nem Tudo que Reluz é Ouro!
Vivemos numa época onde certos valores parecem estar distorcidos, como se as pessoas não conseguissem mais diferenciar nitidamente o certo do errado, o bem do mal, numa espécie de miopia social!
O errado se tornou tão banal que muitas vezes o incorporamos em nossa rotina como se fosse algo normal.
Durante algum tempo mantive dois empregos. Esse, que mantenho até hoje como repórter cinematográfico na madrugada paulista, e outro como cinegrafista e iluminador nos estúdios de certa denominação religiosa.
Na madrugada se vê coisas terríveis, como pais que matam as três filhos, os esquartejam e jogam seus restos no lixo. Ou um homem religioso e trabalhador que um dia, sem qualquer explicação, surta e mata a mulher e os filhos a marteladas, deixando, antes de ser morto pela polícia, um rastro de 1 Km de carros destruídos.
São histórias que marcam em nossa memória, e que chocam quem as ouve.
Um dia, após ouví- las, uma repórter da Igreja onde trabalhava me perguntou como eu conseguia trabalhar na madrugada com jornalismo polícial, se não me sentia mal fazendo aquilo.
Minha resposta foi tão espontânea que até eu fiquei surpreso com ela:
__ Pelo contrário. Sinto- me mal fazendo o que faço aquí!
A repórter calou- se!
Eu também!
Cada um seguiu seu rumo. Mas enquanto arrumava a iluminação de um dos estúdios, tentava entender por quê havia dito aquilo! Por quê me sentia daquele modo!?
Encontrei minha resposta na história do soldado nazista, que é julgado após a guerra pela execução de vários judeus, mas afirma não ter nada contra esse povo:
__ Só seguí as ordens superiores!
Mas isso o isenta de sua responsabilidade? Ele não deveria diferenciar sozinho o certo do errado?
Um soldado nazista! Era assim que me sentia trabalhando para aquela igreja que não pregava amor ao próximo, mas sim prosperidade financeira!
Apesar de seus discursos embasados na bíblia, não tinham interesse real de que o mal se extinguisse, assim como um vendedor de lenços não quer que as pessoas parem de chorar.
Claro que conhecí pessoas íntegras nos círculos mais altos dessa denominação religiosa, mas infelizmente eram minoria.
Jung diz em um de seus textos a seguinte frase:
"Quem olha para fora, sonha! Quem olha para dentro, desperta!"
Eu despertei, me demitindo daquele trabalho nos estúdios da Igreja.
A madrugada pode ter casos de pura maldade, mas ela está nítida! É facil de não se deixar envolver, de manter distância.
Já, em outros lugares, o mal é tão sutil que, quando nos damos conta, estamos completamente envolvidos, como muitos soldados nazistas!
O errado se tornou tão banal que muitas vezes o incorporamos em nossa rotina como se fosse algo normal.
Durante algum tempo mantive dois empregos. Esse, que mantenho até hoje como repórter cinematográfico na madrugada paulista, e outro como cinegrafista e iluminador nos estúdios de certa denominação religiosa.
Na madrugada se vê coisas terríveis, como pais que matam as três filhos, os esquartejam e jogam seus restos no lixo. Ou um homem religioso e trabalhador que um dia, sem qualquer explicação, surta e mata a mulher e os filhos a marteladas, deixando, antes de ser morto pela polícia, um rastro de 1 Km de carros destruídos.
São histórias que marcam em nossa memória, e que chocam quem as ouve.
Um dia, após ouví- las, uma repórter da Igreja onde trabalhava me perguntou como eu conseguia trabalhar na madrugada com jornalismo polícial, se não me sentia mal fazendo aquilo.
Minha resposta foi tão espontânea que até eu fiquei surpreso com ela:
__ Pelo contrário. Sinto- me mal fazendo o que faço aquí!
A repórter calou- se!
Eu também!
Cada um seguiu seu rumo. Mas enquanto arrumava a iluminação de um dos estúdios, tentava entender por quê havia dito aquilo! Por quê me sentia daquele modo!?
Encontrei minha resposta na história do soldado nazista, que é julgado após a guerra pela execução de vários judeus, mas afirma não ter nada contra esse povo:
__ Só seguí as ordens superiores!
Mas isso o isenta de sua responsabilidade? Ele não deveria diferenciar sozinho o certo do errado?
Um soldado nazista! Era assim que me sentia trabalhando para aquela igreja que não pregava amor ao próximo, mas sim prosperidade financeira!
Apesar de seus discursos embasados na bíblia, não tinham interesse real de que o mal se extinguisse, assim como um vendedor de lenços não quer que as pessoas parem de chorar.
Claro que conhecí pessoas íntegras nos círculos mais altos dessa denominação religiosa, mas infelizmente eram minoria.
Jung diz em um de seus textos a seguinte frase:
"Quem olha para fora, sonha! Quem olha para dentro, desperta!"
Eu despertei, me demitindo daquele trabalho nos estúdios da Igreja.
A madrugada pode ter casos de pura maldade, mas ela está nítida! É facil de não se deixar envolver, de manter distância.
Já, em outros lugares, o mal é tão sutil que, quando nos damos conta, estamos completamente envolvidos, como muitos soldados nazistas!
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Curiosidades Sobre Algumas Delegacias
Abra o guia de ruas da cidade de São Paulo e procure por delegacias de polícia.
Você encontrará uma lista que se inicia no 1° Dp da Sé e termina no 103° Dp da Cohab II em Itaquera.
Mas não existem 103 distritos policiais na capital, essa lista pula 10 números, sendo eles:
1 - 60°
2 - 61°
3 - 71°
4 - 76°
5 - 79°
6 - 82°
7 - 84°
8 - 86°
9 - 88°
10 - 94°
Essas são as delegacias que não existem, elas foram distribuídas no plano diretor da cidade mas nunca chegaram a ser construídas, por isso os pulos de numeração (devo admitir que se tornou um prazer pedir para os prestativos estagiários, que começam no jornalismo sempre pelo setor de escuta, que levantem informações de algum caso grande num dos 10 distritos fantasmas.)
Por falar em fantasma, o 1° Dp Sé, na rua da Glória, é um antigo casarão em estilo néo- clássico que, segundo alguns policiais, seria mal- assombrado! Se por espectros ou por funcionários fantasmas, isso já não sei!
O 9° Dp, no bairro do Carandirú, ficou conhecido como delegacia modelo, após passar por reforma ganhou esculturas e outras decorações em seu interior, ficou tão bonito esse Dp que por um tempo seus delegados se recusaram a atender qualquer ocorrência. Ou seja, era bonito de se ver, mas horrível de se usar!
No 13° Dp, Casa Verde, a Dra. Elizabeth Sato promove todos os anos um café da manhã para imprensa. Além disso esse dp também serve de carceragem para presos com ensino superior e já recebeu hóspedes ilustres, como Oscar Marone e Alexandre Nardoni.
25°, 54° e 68° Esses três você não precisa fazer questão de conhecer, são os mais distantes dentre os 93 existentes. Respectivamente são: Parelheiros, Cidade Tiradentes e Lageado.
Há também três delegacias, próximas uma da outra, que formam o chamado "Triângulo das Bermudas" pelo apelido acredito que dê para fazer idéia do porquê. Esses três distritos são: 37° Dp, Campo Limpo, 47° Dp, Capão Redondo, e 100° Dp, Jardim Herculano.
O 77° Dp, em Santa Cecília, é uma delegacia de transito de prisioneiros. Muitos dos detidos em outras delegacias são enviados para lá antes de seguirem para algum centro de detenção. O 89° Dp, Portal do Morumbí, tem a mesma função, mas para as mulheres presas.
Essas são só curiosidades sobre alguns distritos policiais, coisas que vão tornando fácil gravar seus números e regiões a que pertencem.
Atualmente conheço todos, pois tenho uma história em cada um deles, mas isso... É assunto para outras postagens!
Você encontrará uma lista que se inicia no 1° Dp da Sé e termina no 103° Dp da Cohab II em Itaquera.
Mas não existem 103 distritos policiais na capital, essa lista pula 10 números, sendo eles:
1 - 60°
2 - 61°
3 - 71°
4 - 76°
5 - 79°
6 - 82°
7 - 84°
8 - 86°
9 - 88°
10 - 94°
Essas são as delegacias que não existem, elas foram distribuídas no plano diretor da cidade mas nunca chegaram a ser construídas, por isso os pulos de numeração (devo admitir que se tornou um prazer pedir para os prestativos estagiários, que começam no jornalismo sempre pelo setor de escuta, que levantem informações de algum caso grande num dos 10 distritos fantasmas.)
Por falar em fantasma, o 1° Dp Sé, na rua da Glória, é um antigo casarão em estilo néo- clássico que, segundo alguns policiais, seria mal- assombrado! Se por espectros ou por funcionários fantasmas, isso já não sei!
O 9° Dp, no bairro do Carandirú, ficou conhecido como delegacia modelo, após passar por reforma ganhou esculturas e outras decorações em seu interior, ficou tão bonito esse Dp que por um tempo seus delegados se recusaram a atender qualquer ocorrência. Ou seja, era bonito de se ver, mas horrível de se usar!
No 13° Dp, Casa Verde, a Dra. Elizabeth Sato promove todos os anos um café da manhã para imprensa. Além disso esse dp também serve de carceragem para presos com ensino superior e já recebeu hóspedes ilustres, como Oscar Marone e Alexandre Nardoni.
25°, 54° e 68° Esses três você não precisa fazer questão de conhecer, são os mais distantes dentre os 93 existentes. Respectivamente são: Parelheiros, Cidade Tiradentes e Lageado.
Há também três delegacias, próximas uma da outra, que formam o chamado "Triângulo das Bermudas" pelo apelido acredito que dê para fazer idéia do porquê. Esses três distritos são: 37° Dp, Campo Limpo, 47° Dp, Capão Redondo, e 100° Dp, Jardim Herculano.
O 77° Dp, em Santa Cecília, é uma delegacia de transito de prisioneiros. Muitos dos detidos em outras delegacias são enviados para lá antes de seguirem para algum centro de detenção. O 89° Dp, Portal do Morumbí, tem a mesma função, mas para as mulheres presas.
Essas são só curiosidades sobre alguns distritos policiais, coisas que vão tornando fácil gravar seus números e regiões a que pertencem.
Atualmente conheço todos, pois tenho uma história em cada um deles, mas isso... É assunto para outras postagens!
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Coisa de Maluco!
O mundo é um lugar maluco! A madrugada ainda mais!
Certas coisas é melhor nem tentar entender, como ladrões que tentam invadir um banco com uma escavadeira roubada, sendo que bastaria um martelo para quebrar o vidro da agência.
Dá para entender?
Certas coisas é melhor nem tentar entender, como ladrões que tentam invadir um banco com uma escavadeira roubada, sendo que bastaria um martelo para quebrar o vidro da agência.
Dá para entender?
domingo, 9 de agosto de 2009
Faixa de Gaza
Qualquer dia desses, quando você estiver de bobeira pela madrugada da capital, passe no bar Estadão para um lanche. É bem provável que veja por lá algumas equipes de reportagem.
O Estadão se tornou ao longo dos anos uma espécie de posto avançado para as equipes da madrugada, foram vários os motivos que contribuiram para isso.
O bar fica situado num ponto privilegiado, sobre o viaduto Nove de Julho, exatamente no centro da cidade, dando fácil acesso a qualquer região pelas interligações leste / oeste e norte / sul caso alguma ocorrência seja ventilada na rede.
Os preços dos pratos não são nenhum absurdo, sendo muito bem preparados.
E, principalmente, porque é lá que todos na madrugada param quando tem um tempo livre, não apenas repórteres, mas também bombeiros, policiais civis, militares, agentes de trânsito, motoristas de ambulância, de rabecão, de táxi, prostitutas, ladrões... Que lugar seria melhor para se conseguir informações frescas sobre a cidade!?
Claro que se deve tomar muito cuidado nessa "faixa de gaza", prestar muita atenção ao que se fala e faz para não arrumar nenhuma confusão nesse ambiente instável.
No Estadão recomendo sentar próximo ao velho Zuza, caixa que há mais de trinta anos trabalha por alí no mesmo horário.
Sempre fui um bom ouvinte. Um ladrão de histórias, como todo escritor, e tornou-se para mim um hobbie ouvir as histórias do Zuza, que passou a me considerar um de seus melhores clientes.
Ele também gosta de ouvir, saber em primeira mão o que acontece por São Paulo, e, com todos, policiais, bombeiros e etc. Inicia a conversa do mesmo modo:
__ Fizeram o que hoje?
A pergunta não é diferente para os jornalistas, que acabam lhe dizendo as matérias feitas no decorrer da noite.
Durante certo tempo, em que uma parte da imprensa estava em verdadeira guerra fria com outra, era o velho Zuza que, como verdadeiro informante, me mantinha a par das atividades jornalísticas de meus colegas, evitando assim que tomássemos furos grandes de reportagem.
Ouvir mais do que falar, esse é o segredo do Bar Estadão. Isso, e é claro, o tempero de seu famoso pernil!
O Estadão se tornou ao longo dos anos uma espécie de posto avançado para as equipes da madrugada, foram vários os motivos que contribuiram para isso.
O bar fica situado num ponto privilegiado, sobre o viaduto Nove de Julho, exatamente no centro da cidade, dando fácil acesso a qualquer região pelas interligações leste / oeste e norte / sul caso alguma ocorrência seja ventilada na rede.
Os preços dos pratos não são nenhum absurdo, sendo muito bem preparados.
E, principalmente, porque é lá que todos na madrugada param quando tem um tempo livre, não apenas repórteres, mas também bombeiros, policiais civis, militares, agentes de trânsito, motoristas de ambulância, de rabecão, de táxi, prostitutas, ladrões... Que lugar seria melhor para se conseguir informações frescas sobre a cidade!?
Claro que se deve tomar muito cuidado nessa "faixa de gaza", prestar muita atenção ao que se fala e faz para não arrumar nenhuma confusão nesse ambiente instável.
No Estadão recomendo sentar próximo ao velho Zuza, caixa que há mais de trinta anos trabalha por alí no mesmo horário.
Sempre fui um bom ouvinte. Um ladrão de histórias, como todo escritor, e tornou-se para mim um hobbie ouvir as histórias do Zuza, que passou a me considerar um de seus melhores clientes.
Ele também gosta de ouvir, saber em primeira mão o que acontece por São Paulo, e, com todos, policiais, bombeiros e etc. Inicia a conversa do mesmo modo:
__ Fizeram o que hoje?
A pergunta não é diferente para os jornalistas, que acabam lhe dizendo as matérias feitas no decorrer da noite.
Durante certo tempo, em que uma parte da imprensa estava em verdadeira guerra fria com outra, era o velho Zuza que, como verdadeiro informante, me mantinha a par das atividades jornalísticas de meus colegas, evitando assim que tomássemos furos grandes de reportagem.
Ouvir mais do que falar, esse é o segredo do Bar Estadão. Isso, e é claro, o tempero de seu famoso pernil!
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Antimatéria
Certo jornalista de extenso currículo me disse uma vez que tudo rendia uma matéria, e ilustrava sua afirmação com o exemplo: "Tem equipe de reportagem que vai até o porto para fazer a inauguração de um navio e volta sem nada porque o navio afundou!"
Concordo com seu ponto de vista dentro desta perspectiva, mas ele, em sua vasta experiência, se esqueceu de um outro ângulo, com o qual por vezes me deparo dentro do jornalismo factual, e que gosto de chamar de antimatéria.
O suicídio!
Emissora nenhuma exibe este tipo de caso. Já passei por situações onde, após horas de plantão, a matéria simplesmente caiu quando descobrimos tratar- se de suicídio.
As explicações das redações são várias:
"É depressivo demais!"
Ou então:
"Pode incentivar outros a fazerem o mesmo!"
Há também:
"Não é ético!"
Mas em minha opnião trata- se do reflexo de um fato ocorrido há muitos anos e que foi exibido pelo extinto jornal policial "Aquí e Agora".
Essa passagem ficou conhecida como "Suicídio ao vivo", e mostrava exatamente isso, uma garota se jogando de um prédio ao vivo.
Na época isso foi extremamente repudiado por toda a comunidade jornalística, desde então o suicídio tornou- se um dos dogmas éticos da profissão.
Dias atrás passei por uma situação que considerei semelhante e que fez com que eu me sentisse muito mal, mesmo sem estar envolvido com ela diretamente.
O repórter de uma emissora concorrente (um rapaz novo de profissão e com toda a gana de conquistar seu espaço ao sol) convenceu uma mulher, que estava entre os curiosos que acompanhavam nosso trabalho, a ir até a casa da mãe de um rapaz, morto na chacina que cobríamos, e dar- lhe a notícia da morte do filho.
O repórter com quem eu trabalhava nesse dia insistiu para que fossemos junto.
De imediato avisei que não iria gravar uma situação dessas, consciente, ele concordou, mas pediu que me mantivesse próximo, caso a mulher se interessasse em dar entrevista.
Me mantive na esquina da rua onde morava a mãe do rapaz, acompanhando com o olhar a descida dos dois jornalistas e do cinegrafista da outra emissora, que gravava todo o percurso até a casa.
Mesmo distante, podia ouvir os gritos da mulher quando recebeu a notícia.
Houve um momento de tensão quando, vendo que a mulher passava mal, um dos repórteres começou a gritar para que alguém chamasse uma ambulância.
Não fiquei muito mais tempo do que isso naquela esquina. Voltei para o carro e esperei o meu repórter, que apareceu alguns minutos depois.
No dia seguinte ví a matéria na outra emissora, cujo apresentador do jornal ainda pedia para reprisar o momento em que a mãe era informada da morte do filho.
O resultado não podia ser outro, todos os profissionais de jornal impresso, rádio e televisão do horário ficaram indignados com o apelo imoral daquela matéria e com o repórter que a fechou. Repórter esse que, muito constrangido, dizia que nunca mais faria algo deste tipo. Mas era tarde, já estava feito!
Fico pensando no que poderia ter acontecido caso aquela mãe tivesse infartado naquele fatídico momento, já que os jornalistas haviam perdido sua imparcialidade no momento em que induziram alguém a dar uma notícia que não lhe cabia.
Passaram a fazer parte da informação e não apenas a transmiti- la.
Situação parecida ocorreu no caso Eloá, quando muitos apresentadores de TV passaram a conversar com o sequestrador, função que era da polícia!
Pode até ser que tudo renda uma matéria! Mas não se pode fazer de tudo por uma matéria, pois isso pode implicar em passar por cima de questões éticas e morais que podem destruir uma carreira, e até vidas, como no caso Eloá!
Concordo com seu ponto de vista dentro desta perspectiva, mas ele, em sua vasta experiência, se esqueceu de um outro ângulo, com o qual por vezes me deparo dentro do jornalismo factual, e que gosto de chamar de antimatéria.
O suicídio!
Emissora nenhuma exibe este tipo de caso. Já passei por situações onde, após horas de plantão, a matéria simplesmente caiu quando descobrimos tratar- se de suicídio.
As explicações das redações são várias:
"É depressivo demais!"
Ou então:
"Pode incentivar outros a fazerem o mesmo!"
Há também:
"Não é ético!"
Mas em minha opnião trata- se do reflexo de um fato ocorrido há muitos anos e que foi exibido pelo extinto jornal policial "Aquí e Agora".
Essa passagem ficou conhecida como "Suicídio ao vivo", e mostrava exatamente isso, uma garota se jogando de um prédio ao vivo.
Na época isso foi extremamente repudiado por toda a comunidade jornalística, desde então o suicídio tornou- se um dos dogmas éticos da profissão.
Dias atrás passei por uma situação que considerei semelhante e que fez com que eu me sentisse muito mal, mesmo sem estar envolvido com ela diretamente.
O repórter de uma emissora concorrente (um rapaz novo de profissão e com toda a gana de conquistar seu espaço ao sol) convenceu uma mulher, que estava entre os curiosos que acompanhavam nosso trabalho, a ir até a casa da mãe de um rapaz, morto na chacina que cobríamos, e dar- lhe a notícia da morte do filho.
O repórter com quem eu trabalhava nesse dia insistiu para que fossemos junto.
De imediato avisei que não iria gravar uma situação dessas, consciente, ele concordou, mas pediu que me mantivesse próximo, caso a mulher se interessasse em dar entrevista.
Me mantive na esquina da rua onde morava a mãe do rapaz, acompanhando com o olhar a descida dos dois jornalistas e do cinegrafista da outra emissora, que gravava todo o percurso até a casa.
Mesmo distante, podia ouvir os gritos da mulher quando recebeu a notícia.
Houve um momento de tensão quando, vendo que a mulher passava mal, um dos repórteres começou a gritar para que alguém chamasse uma ambulância.
Não fiquei muito mais tempo do que isso naquela esquina. Voltei para o carro e esperei o meu repórter, que apareceu alguns minutos depois.
No dia seguinte ví a matéria na outra emissora, cujo apresentador do jornal ainda pedia para reprisar o momento em que a mãe era informada da morte do filho.
O resultado não podia ser outro, todos os profissionais de jornal impresso, rádio e televisão do horário ficaram indignados com o apelo imoral daquela matéria e com o repórter que a fechou. Repórter esse que, muito constrangido, dizia que nunca mais faria algo deste tipo. Mas era tarde, já estava feito!
Fico pensando no que poderia ter acontecido caso aquela mãe tivesse infartado naquele fatídico momento, já que os jornalistas haviam perdido sua imparcialidade no momento em que induziram alguém a dar uma notícia que não lhe cabia.
Passaram a fazer parte da informação e não apenas a transmiti- la.
Situação parecida ocorreu no caso Eloá, quando muitos apresentadores de TV passaram a conversar com o sequestrador, função que era da polícia!
Pode até ser que tudo renda uma matéria! Mas não se pode fazer de tudo por uma matéria, pois isso pode implicar em passar por cima de questões éticas e morais que podem destruir uma carreira, e até vidas, como no caso Eloá!
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Cometa Verde
Aqueles que pensam em fazer carreira na reportagem televisiva, saibam que terão de aturar muitos absurdos de suas chefias.
No inicio deste ano passou pelo céu de São Paulo um certo cometa verde, uma matéria ótima, quando produzida!
Infelizmente a emissora onde trabalho esqueceu do tal cometa, lembrando dele quando já era tarde demais para agendar qualquer observatório ou instituto de pesquisa. Ou seja, quando o infeliz já cruzava o céu.
Há alguns dias vinha trabalhando sozinho pois o repórter passava por alguns problemas pessoais.
Fui chamado até a redação, onde a chefia me passou minha pauta:
__ Tudo bem querido? Preciso que você pegue a câmera e grave o cometa verde que está passando no céu!
Fiquei pasmo!
Faça um teste; Pegue sua câmera de vídeo, espere anoitecer, e veja quantas estrelas você conseguirá gravar.
Nenhuma! As estrelas não emitem luz suficiente para serem captadas pelas lentes das câmeras, e o cometa mal poderia ser visto a olho nú, como vemos as estrelas.
Não quis entrar neste mérito, minha chefia não entende nada da parte teórica da imagem, isso nem era o mais complicado, poderia ter dito a ela que o céu era imenso, que seria como achar uma agulha no palheiro! Mas, em vez disso, optei pelo mais óbvio. Da janela da redação olhei para o céu, depois para a chefia, para o céu, chefia, céu... E disse:
__ O tempo está nublado!
A camada de nuvens era tão grossa que nem mesmo o brilho da lua podia ser visto atravéz dela, quanto mais o cometa verde!
A chefia olhou para o céu carregado e, após alguns segundos, "solucionou" o problema:
__ Então pegue uma viatura e veja se encontra algum ponto onde o céu esteja limpo.
Olhei uma última vez para aquela muralha que parecia estar estendida por sobre todo o Estado.
Nessas horas certos ditados passam por nossa cabeça; "Em Roma, seja como os romanos." "Quem está na chuva é para se molhar." "Nunca diga nunca!" Enfim, olhei prestativo para a chefia, dizendo: __ Já estou indo! __ E passei o resto da madrugada no bar de um amigo jogando sinuca e conversa fora!
De tempos em tempos me ligavam:
__ Conseguiu achar algum ponto?
__ Ainda não! __ Respondia.__ Mas estou procurando!
E, rindo, dava outra tacada, mandando a bola verde para a boca do canto.
Ficam, portanto, três conselhos:
Primeiro,mesmo que não seja você a opera-los, conheça um pouco da parte técnica dos equipamentos para não falar nenhuma besteira e virar motivo de piada;
Segundo, quando lhe pedirem algum absurdo, não se estresse ou discuta com seus chefes, na maioria das vezes eles só estão desesperados, tentando resolver algum erro que cometeram;
Terceiro, ao voltar para a redação faça uma cara de frustração pior que a de seu chefe. Além de fazer com que ele se sinta melhor você ainda marcará alguns pontos com ele, que encerrará o assunto dizendo: "Tudo bem! Nós tentamos!"
No inicio deste ano passou pelo céu de São Paulo um certo cometa verde, uma matéria ótima, quando produzida!
Infelizmente a emissora onde trabalho esqueceu do tal cometa, lembrando dele quando já era tarde demais para agendar qualquer observatório ou instituto de pesquisa. Ou seja, quando o infeliz já cruzava o céu.
Há alguns dias vinha trabalhando sozinho pois o repórter passava por alguns problemas pessoais.
Fui chamado até a redação, onde a chefia me passou minha pauta:
__ Tudo bem querido? Preciso que você pegue a câmera e grave o cometa verde que está passando no céu!
Fiquei pasmo!
Faça um teste; Pegue sua câmera de vídeo, espere anoitecer, e veja quantas estrelas você conseguirá gravar.
Nenhuma! As estrelas não emitem luz suficiente para serem captadas pelas lentes das câmeras, e o cometa mal poderia ser visto a olho nú, como vemos as estrelas.
Não quis entrar neste mérito, minha chefia não entende nada da parte teórica da imagem, isso nem era o mais complicado, poderia ter dito a ela que o céu era imenso, que seria como achar uma agulha no palheiro! Mas, em vez disso, optei pelo mais óbvio. Da janela da redação olhei para o céu, depois para a chefia, para o céu, chefia, céu... E disse:
__ O tempo está nublado!
A camada de nuvens era tão grossa que nem mesmo o brilho da lua podia ser visto atravéz dela, quanto mais o cometa verde!
A chefia olhou para o céu carregado e, após alguns segundos, "solucionou" o problema:
__ Então pegue uma viatura e veja se encontra algum ponto onde o céu esteja limpo.
Olhei uma última vez para aquela muralha que parecia estar estendida por sobre todo o Estado.
Nessas horas certos ditados passam por nossa cabeça; "Em Roma, seja como os romanos." "Quem está na chuva é para se molhar." "Nunca diga nunca!" Enfim, olhei prestativo para a chefia, dizendo: __ Já estou indo! __ E passei o resto da madrugada no bar de um amigo jogando sinuca e conversa fora!
De tempos em tempos me ligavam:
__ Conseguiu achar algum ponto?
__ Ainda não! __ Respondia.__ Mas estou procurando!
E, rindo, dava outra tacada, mandando a bola verde para a boca do canto.
Ficam, portanto, três conselhos:
Primeiro,mesmo que não seja você a opera-los, conheça um pouco da parte técnica dos equipamentos para não falar nenhuma besteira e virar motivo de piada;
Segundo, quando lhe pedirem algum absurdo, não se estresse ou discuta com seus chefes, na maioria das vezes eles só estão desesperados, tentando resolver algum erro que cometeram;
Terceiro, ao voltar para a redação faça uma cara de frustração pior que a de seu chefe. Além de fazer com que ele se sinta melhor você ainda marcará alguns pontos com ele, que encerrará o assunto dizendo: "Tudo bem! Nós tentamos!"
terça-feira, 28 de julho de 2009
Plantão
O próprio nome já diz tudo!
É ficar plantado em algum local como um vegetal, faça chuva ou faça sol, até a chegada da rendição, que sempre atrasa!
Nesses meus anos de trabalho já peguei alguns memoráveis.
A invasão dos sem-teto ao terreno da VW, onde morreu o fotógrafo La Costa e o então Deputado Greenhalgh fez um discurso dizendo que a imprensa era inimiga do movimento (O detalhe é que nesse momento eu gravava bem no meio dos manifestantes). Resultado, me mostraram um revólver e tive de ser escoltado até o lado de fora do terreno invadido. Obrigado Greenhalgh!
A greve de alunos na USP. Alunos em greve, essa é boa! Até hoje não sei o que eles reinvidicavam, acho que nem eles! Uma passagem interessante desse plantão é que quase apanhei dos "grevistas" (Como podem ver, dou "sorte" em meus plantões!) Tudo porque um deles se sentiu ofendido por eu estar gravando no local enquanto ele fumava um baseado em frente a reitoria invadida.
Teve a queda do avião em Congonhas, que me renderam quatro dias sem dormir, meu record!
O Terrível caso Nardoni (Esse não gosto nem de comentar!), a morte do ACM, as crianças esquartejadas em Ribeirão Pires...
Mas geralmente os plantões não são tão longos quanto os citados.
Alguns dias atráz fiz um interessante, de apenas algumas horas, mas que chegou a ser cômico.
Uma mulher e seus filhos estariam sendo feitos reféns pelo marido e pai das crianças, sem que ainda tivesse feito qualquer exigência.
Lá estavamos nós, em frente a uma casa cercada por policiais, na garoa por horas, esperando. Após algum tempo a sequestrada e as crianças escapam pela janela do quarto. Quando a polícia se prepara para arrombar a porta, percebem que ela está destrancada e entram na residência... Suspense!
__A casa está vazia!
Anuncia o soldado.
Quaiz! Quaiz! Quaiz!
A história era essa:
A mulher chega tarde em casa e seu marido ciumento briga com ela, dando-lhe um tapa. Ela se tranca no quarto com os filhos. Nervoso, o marido bate na porta pedindo que seja aberta, as batidas cessam. A mulher liga para a irmã que chama a polícia. Mas o marido não está mais em casa, saiu para tomar umas cervejas e esfriar a cabeça. Ou seja, a mulher podia ter saído do quarto (onde ela mesmo se trancou) e recebido a polícia pela porta da frente!
Não havia matéria, só uma mulher envergonhada com o rumo que as coisas haviam tomado, alguns jornalistas molhados e um marido que tomaria um baita susto quando chegasse em casa!
É ficar plantado em algum local como um vegetal, faça chuva ou faça sol, até a chegada da rendição, que sempre atrasa!
Nesses meus anos de trabalho já peguei alguns memoráveis.
A invasão dos sem-teto ao terreno da VW, onde morreu o fotógrafo La Costa e o então Deputado Greenhalgh fez um discurso dizendo que a imprensa era inimiga do movimento (O detalhe é que nesse momento eu gravava bem no meio dos manifestantes). Resultado, me mostraram um revólver e tive de ser escoltado até o lado de fora do terreno invadido. Obrigado Greenhalgh!
A greve de alunos na USP. Alunos em greve, essa é boa! Até hoje não sei o que eles reinvidicavam, acho que nem eles! Uma passagem interessante desse plantão é que quase apanhei dos "grevistas" (Como podem ver, dou "sorte" em meus plantões!) Tudo porque um deles se sentiu ofendido por eu estar gravando no local enquanto ele fumava um baseado em frente a reitoria invadida.
Teve a queda do avião em Congonhas, que me renderam quatro dias sem dormir, meu record!
O Terrível caso Nardoni (Esse não gosto nem de comentar!), a morte do ACM, as crianças esquartejadas em Ribeirão Pires...
Mas geralmente os plantões não são tão longos quanto os citados.
Alguns dias atráz fiz um interessante, de apenas algumas horas, mas que chegou a ser cômico.
Uma mulher e seus filhos estariam sendo feitos reféns pelo marido e pai das crianças, sem que ainda tivesse feito qualquer exigência.
Lá estavamos nós, em frente a uma casa cercada por policiais, na garoa por horas, esperando. Após algum tempo a sequestrada e as crianças escapam pela janela do quarto. Quando a polícia se prepara para arrombar a porta, percebem que ela está destrancada e entram na residência... Suspense!
__A casa está vazia!
Anuncia o soldado.
Quaiz! Quaiz! Quaiz!
A história era essa:
A mulher chega tarde em casa e seu marido ciumento briga com ela, dando-lhe um tapa. Ela se tranca no quarto com os filhos. Nervoso, o marido bate na porta pedindo que seja aberta, as batidas cessam. A mulher liga para a irmã que chama a polícia. Mas o marido não está mais em casa, saiu para tomar umas cervejas e esfriar a cabeça. Ou seja, a mulher podia ter saído do quarto (onde ela mesmo se trancou) e recebido a polícia pela porta da frente!
Não havia matéria, só uma mulher envergonhada com o rumo que as coisas haviam tomado, alguns jornalistas molhados e um marido que tomaria um baita susto quando chegasse em casa!
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Periferia, Polícia & Notícia
A favela de Heliópoles é a maior e uma das mais perigosas de São Paulo.
Não são raros tiroteios entre bandidos e policiais, portanto, também não é incomum que a imprensa apareça por lá fazendo suas entrevistas, fotografias e filmagens nos locais preservados pela polícia.
Mas e quando a polícia não permanece guardando a cena de crime? Como ocorreu no fim da noite passada!
Num lugar perigoso, como a favela em questão, isso quer dizer apenas uma coisa: A PM fez besteira!
Abandonam o local na esperança de que os jornalistas, com receio de assaltos, não entrem no interior da comunidade para levantar a história, ficando apenas com a versão oficial passada pelo comando de área.
Essa tática funciona com muitos colegas menos experientes no jornalismo policial mas, como diz o repórter com quem trabalho: "Não somos acessores de imprensa da secretaria de segurança!"
Mesmo sem polícia, nos aventuramos no interior da favela, passando por vielas escuras e apertadas e sentindo olhos em nossas costas.
Pode parecer loucura, mas não é!
Logo depois que ocorre um crime e a polícia se faz presente, existe um tempo hábil onde é possível circular pelo local, pois os criminosos continuarão escondidos até a poeira baixar. Esse tempo varia, pode durar dez minutos ou dois dias, tudo vai de sentir o "clima" do lugar.
Encontramos a rua onde teria ocorrido o confronto e descobrimos o motivo pelo qual a PM tentava evitar que entrassemos na favela. Uma menina de oito anos teria sido alvejada no peito por um policial!
O repórter conversa com os familiares da garota se declarando inconformado com o ocorrido e me olhando em busca de confirmação, que obtém na melhor expressão de indignação que consigo fazer. Técnica para ganhar a família, que acaba gravando entrevistas e garantindo nossa segurança no local.
Não é que não nos importemos, apenas somos calejados pela violência da metrópole. Além do que, precisamos manter certa distância para poder ver a coisa como um todo.
Segundo a família, policiais da ROCAM (rondas ostensivas com apoio de motos) eram os únicos a disparar com suas armas enquanto perseguiam um suspeito que fugia. Um desses tiros teria pego na criança, que voltava da casa de uma tia. Ao se recusarem a socorrer a menina, populares teriam ficado revoltados e agredido os policiais, tomando a chave de uma das motos durante a confusão.
A menina acabou sendo socorrida de carro por um vizinho até o hospital da região e não corre risco de morte.
Comprovando a versão da família, temos uma delegacia onde nenhum bandido foi preso ou arma apreendida.
Mas apesar de todos os fatos, nada acontecerá!
Os policiais serão absolvidos, os bandidos continuarão a solta e a imprensa partirá para outras matérias.
Apenas uma menina inocente de oito anos terá para sempre uma cicatriz em seu peito e, toda uma comunidade, uma ferida ainda maior contra o Estado!
Não são raros tiroteios entre bandidos e policiais, portanto, também não é incomum que a imprensa apareça por lá fazendo suas entrevistas, fotografias e filmagens nos locais preservados pela polícia.
Mas e quando a polícia não permanece guardando a cena de crime? Como ocorreu no fim da noite passada!
Num lugar perigoso, como a favela em questão, isso quer dizer apenas uma coisa: A PM fez besteira!
Abandonam o local na esperança de que os jornalistas, com receio de assaltos, não entrem no interior da comunidade para levantar a história, ficando apenas com a versão oficial passada pelo comando de área.
Essa tática funciona com muitos colegas menos experientes no jornalismo policial mas, como diz o repórter com quem trabalho: "Não somos acessores de imprensa da secretaria de segurança!"
Mesmo sem polícia, nos aventuramos no interior da favela, passando por vielas escuras e apertadas e sentindo olhos em nossas costas.
Pode parecer loucura, mas não é!
Logo depois que ocorre um crime e a polícia se faz presente, existe um tempo hábil onde é possível circular pelo local, pois os criminosos continuarão escondidos até a poeira baixar. Esse tempo varia, pode durar dez minutos ou dois dias, tudo vai de sentir o "clima" do lugar.
Encontramos a rua onde teria ocorrido o confronto e descobrimos o motivo pelo qual a PM tentava evitar que entrassemos na favela. Uma menina de oito anos teria sido alvejada no peito por um policial!
O repórter conversa com os familiares da garota se declarando inconformado com o ocorrido e me olhando em busca de confirmação, que obtém na melhor expressão de indignação que consigo fazer. Técnica para ganhar a família, que acaba gravando entrevistas e garantindo nossa segurança no local.
Não é que não nos importemos, apenas somos calejados pela violência da metrópole. Além do que, precisamos manter certa distância para poder ver a coisa como um todo.
Segundo a família, policiais da ROCAM (rondas ostensivas com apoio de motos) eram os únicos a disparar com suas armas enquanto perseguiam um suspeito que fugia. Um desses tiros teria pego na criança, que voltava da casa de uma tia. Ao se recusarem a socorrer a menina, populares teriam ficado revoltados e agredido os policiais, tomando a chave de uma das motos durante a confusão.
A menina acabou sendo socorrida de carro por um vizinho até o hospital da região e não corre risco de morte.
Comprovando a versão da família, temos uma delegacia onde nenhum bandido foi preso ou arma apreendida.
Mas apesar de todos os fatos, nada acontecerá!
Os policiais serão absolvidos, os bandidos continuarão a solta e a imprensa partirá para outras matérias.
Apenas uma menina inocente de oito anos terá para sempre uma cicatriz em seu peito e, toda uma comunidade, uma ferida ainda maior contra o Estado!
Desinteligência
É o termo utilizado para brigas por motivos banais. Como a que ocorreu nesta madrugada após uma colisão entre dois veículos na avenida Funchal.
Uma das partes envolvidas, uma GCM, perseguiu e fechou o carro de um homem que teria batido em seu veículo, identificando-se como investigadora da Divecar ela puxou o revolver 38 para o condutor que, assustado, correu até uma viatura dos bombeiros que passava pelo local.
O bombeiro por sua vez acionou a PM, já que a GCM tentava se evadir do local.
Todos os envolvidos foram levados para a polícia civil do 15°Dp no Itaim Bibi.
Com a chegada da imprensa o GOE foi acionado pela delegada, para fazer o isolamento do distrito. Um verdadeiro circo onde faltou apenas a presença da polícia ambiental!
Olhando para os carros envolvidos no acidente não pude deixar de me sentir indignado. Nem mesmo estavam amassados, apenas um risco, desses que saem facilmente com um bom polimento, podia ser notado nas latarias.
Muito barulho por nada!
O que nos mostra o despreparo de certos guardas, sacando suas armas num mero acidente de transito.
Uma das partes envolvidas, uma GCM, perseguiu e fechou o carro de um homem que teria batido em seu veículo, identificando-se como investigadora da Divecar ela puxou o revolver 38 para o condutor que, assustado, correu até uma viatura dos bombeiros que passava pelo local.
O bombeiro por sua vez acionou a PM, já que a GCM tentava se evadir do local.
Todos os envolvidos foram levados para a polícia civil do 15°Dp no Itaim Bibi.
Com a chegada da imprensa o GOE foi acionado pela delegada, para fazer o isolamento do distrito. Um verdadeiro circo onde faltou apenas a presença da polícia ambiental!
Olhando para os carros envolvidos no acidente não pude deixar de me sentir indignado. Nem mesmo estavam amassados, apenas um risco, desses que saem facilmente com um bom polimento, podia ser notado nas latarias.
Muito barulho por nada!
O que nos mostra o despreparo de certos guardas, sacando suas armas num mero acidente de transito.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Águia 1
27°Dp, Campo Belo, Zona Sul.
3 assaltantes são presos pela policia militar no bairro nobre Planalto Paulista. As guarnições em terra tiveram a ajuda do helecóptero águia, que os localizou numa tentativa de fuga sobre uma residência vizinha a que fora efetuado o assalto.
De inicio a família assaltada se recusou a gravar entrevista, mas mudaram de idéia com a alegação dos repórteres de que falar seria crucial para os registros policiais
3 assaltantes são presos pela policia militar no bairro nobre Planalto Paulista. As guarnições em terra tiveram a ajuda do helecóptero águia, que os localizou numa tentativa de fuga sobre uma residência vizinha a que fora efetuado o assalto.
De inicio a família assaltada se recusou a gravar entrevista, mas mudaram de idéia com a alegação dos repórteres de que falar seria crucial para os registros policiais
O Shownalismo
Trabalho com jornalismo há 8 anos. O que vejo é que informar a população tem se tornado o menos importante com o passar do tempo! Cada vez mais estamos sendo reduzidos a fofocas e gincana. Fofocas nas matérias sensacionalistas, desprovidas de notícia mas carregadas de curiosidade mórbida, que nos exigem nas redações. E gincana pois o jornalismo tornou- se uma disputa entre os veículos de comunicação onde a palavra chave é o "Furo", de preferência no olho dos concorrentes!
Temos as posições no pódio:
Primeira;
Segunda;
Terceira.
E assim por diante, dessa forma recuso- me a citar a emissora em que trahalho, afinal, não é isso que importa, mas sim a informação!
Esse sentimento também foi o fator determinante para que, nos últimos 3 anos, eu tenha optado pelo trabalho na madrugada.
Durante o dia a Globo tem maia de 60 equipes na rua, a Record, mais de 50, SBT, 40, Band, 20 e RedeTV, 18.
Mas na madrugada todas essas emissoras tem apenas uma equipe, o que as põe em pé de igualdade e que, pela ausência de chefias e também pelos riscos do horário, faz com que troquemos informações e andemos juntos em comboios de uma matéria a outra.
Além das TV's contamos com o pessoal de jornais impressos e rádios.
Todos sobreviventes de um jornalismo em extinção, o jornalismo policial!
Temos as posições no pódio:
Primeira;
Segunda;
Terceira.
E assim por diante, dessa forma recuso- me a citar a emissora em que trahalho, afinal, não é isso que importa, mas sim a informação!
Esse sentimento também foi o fator determinante para que, nos últimos 3 anos, eu tenha optado pelo trabalho na madrugada.
Durante o dia a Globo tem maia de 60 equipes na rua, a Record, mais de 50, SBT, 40, Band, 20 e RedeTV, 18.
Mas na madrugada todas essas emissoras tem apenas uma equipe, o que as põe em pé de igualdade e que, pela ausência de chefias e também pelos riscos do horário, faz com que troquemos informações e andemos juntos em comboios de uma matéria a outra.
Além das TV's contamos com o pessoal de jornais impressos e rádios.
Todos sobreviventes de um jornalismo em extinção, o jornalismo policial!
Assinar:
Postagens (Atom)